O Santos contagia

Nenhum time brasileiro esteve tão em evidência nesta temporada como o Santos. Tanto pelo futebol quanto pelas confusões causadas por seu principal protagonista, Neymar. Mas, campeão paulista e da Copa do Brasil, o time praiano atraiu a preferência dos jornalistas que participaram da Pesquisa Estado 2010 foi mesmo pelos resultados e o vistoso espetáculo que Paulo Henrique Ganso e companhia mostraram principalmente no primeiro semestre do ano.

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

A equipe montada por Dorival Júnior, mas comandada por Marcelo Martelotte no final da temporada, deixou para trás o Internacional, protagonista talvez do maior vexame do ano ao perder para um africano no Mundial de Clubes, embora ainda assim tenha sido o campeão da Taça Libertadores, título cobiçado por todas as equipes do futebol brasileiro.

Nas campanhas vencedoras do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, o Santos enfileirou goleadas que fizeram os saudosistas de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe e companhia imaginarem que a equipe poderia dar tantas alegrias quanto o escrete que escreveu o nome do Santos na história do futebol. Em 74 jogos, marcou incríveis 176 gols (média de 2,37 gols por partida) para vencer 41 vezes, embora tenha amargado 20 derrotas e 13 empates.

Além de fazer a alegria da torcida ao mostrar seus novos talentos, o Santos também mostrou ousado plano de marketing para repatriar Robinho. O ídolo do título brasileiro de 2002 estava em má fase no Manchester City e voltou para remarcar seu espaço e conquistar definitivamente o coração de Dunga, que o colocou como um dos pilares da seleção brasileira na Copa do Mundo. O final desta história não foi tão feliz, com a derrota para a Holanda (2 a 1) e a volta do jogador para a Europa.

O que ainda está na memória de seus torcedores são os verdadeiros espetáculos que a equipe deu contra os discretos times do Grêmio Prudente (5 a 0), o Bragantino (6 a 3), o Naviraiense (10 a 0), o Ituano (9 a 1) e o Guarani (8 a 1). Mas não foi apenas contra equipes modestas que o Santos fez a festa. No Campeonato Paulista, perdeu apenas um clássico, contra o Palmeiras (4 a 3, de virada, em plena Vila Belmiro), quando parece que a soberba acabou prejudicando o resultado.

Armadilhas. O sucesso tem suas armadilhas e basicamente por causa delas que o brilho do primeiro semestre ficou bem menos incandescente no final da temporada. Além da lesão de Ganso - rompimento do ligamento cruzado do joelho esquerdo -, a imaturidade de Neymar também minou uma temporada que poderia ter sido perfeita com mais um título brasileiro. Mas o jovem atacante, que optou por permanecer no Santos apesar de ter propostas tentadoras da Europa, teve lapsos de comportamento que acabaram se refletindo no futebol seu e da equipe. O principal deslize foi com Dorival Júnior. Na vitória por 4 a 2 diante do Atlético-GO, o jogador xingou o técnico porque foi proibido de cobrar uma penalidade. Dorival bancou uma punição ao atacante, que ficaria de fora de dois jogos, mas a atitude custou seu emprego, embora toda a opinião pública tenha ficado ao seu lado. A situação fez a equipe perder o embalo e deixar de aproveitar uma chance histórica.

Agora o desafio do Santos, que monta equipe forte para disputar a Taça Libertadores - não perdeu mais ninguém e trouxe Elano e Charles -, é domar os egos que cresceram com as conquistas de 2010. Tarefa para o técnico Adilson Batista, a quem foram dadas metas audaciosas para cumprir e que ainda precisa de um centroavante confiável. O talentoso Neymar mais Ganso e seus companheiros é que vão dizer se o clube poderá ter outro ano inesquecível.

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