O supercampeão está de volta

Schumacher, o piloto que mais venceu na história, foi escolhido para substituir temporariamente Massa na Ferrari

Lívio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

O que parecia ser apenas um sonho de milhões de torcedores, dos promotores e dos investidores da Fórmula 1, tornou-se realidade: Michael Schumacher está de volta. O piloto de mais conquistas de todos os tempos, sete vezes campeão do mundo, substituirá, aos 40 anos e já um pouco gordinho, mas provavelmente muito competente ainda, seu amigo Felipe Massa na equipe Ferrari, ferido sábado no treino de classificação para o GP da Hungria.  Veja também: Massa deixa a UTI e já pede para voltar a correr  VOTE - A Ferrari acerta ao escolher o alemão?'Gosto de desafios', diz Schumacher sobre volta Ecclestone duvida de retorno de Massa neste anoEntenda como foi o acidente de Massa GALERIA DE FOTOS - Imagens do acidente BLOG DO LIVIO - Leia mais sobre a F-1"Em primeiro lugar, o mais importante é que as informações sobre Felipe são, graças a Deus, positivas. Desejo-lhe pronta recuperação", disse o alemão em seu site. E explicou: "Eu me reuni com Stefano Domenicali e Luca di Montezemolo (da direção da Ferrari), hoje (ontem) à tarde e decidi aceitar o convite para substituir Felipe. Inicio desde já a minha preparação para voltar a correr".A última prova de Schumacher na Fórmula 1 foi em Interlagos, no GP do Brasil de 2006. Desde então, limitou-se a realizar um ou outro teste para a Ferrari e, mesmo assim, o último foi ainda em abril do ano passado, em Barcelona. Além disso, disputou provas esporádicas de motocicleta até sofrer sério acidente no dia 2 de fevereiro, no circuito espanhol de Cartagena, fraturando duas costelas.O alemão, que entrou para a história como um dos mais espetaculares pilotos de todas as épocas - ainda que para vencer, por vezes, valesse tudo -, explicou a razão de mudar de ideia: "A Fórmula 1 continua um capítulo encerrado para mim, mas, por motivo de lealdade à equipe, não posso ignorar essa situação". E completou: "Como competidor que sou, digo que estou ansioso para enfrentar esse desafio".Schumacher tem contrato com a Ferrari. Recebe cerca de US$ 30 milhões por ano como consultor e homem da marca.O que primeiro terá de rever é sua condição física, tida como um modelo no seu tempo de piloto. O alemão demonstrou este ano umas gordurinhas expressivas na altura da cintura nas etapas que acompanhou a Ferrari.A sua reestreia será no primeiro dia de treinos livres do GP da Europa, dia 21, nas ruas de Valência, na Espanha. Os testes particulares estão proibidos este ano. Mas, tão importante quanto sua preparação orgânica, é conhecer o modelo F60 da Ferrari.Até mesmo em relação ao carro que pilotou ano passado, as diferenças nos recursos disponibilizados são significativas. O sistema de recuperação de energia, por exemplo, Kers, representa completa novidade para Schumacher. "Vamos começar um intenso programa de atualização com Michael, para tê-lo em plenas condições de disputar o GP da Europa", disse Luca Colajanni, da Ferrari. Passará por muitas horas no simulador. Schumacher será o companheiro de Kimi Raikkonen, campeão do mundo também, em 2007, que curiosamente sempre desejou enfrentá-lo com o mesmo equipamento. Terá, agora, a oportunidade, e com uma série de vantagens. BMW FORAO anúncio da volta de Schumacher no dia em que a BMW oficializou seu abandono da Fórmula 1, ontem, não foi por acaso. O que seria um golpe para a imagem da competição, a saída de um time importante, apesar da falta de resultados este ano, transformou-se num dia de júbilo até, com o retorno do maior piloto em números da história. Um dia que entrará para a história da velocidade.Com toda certeza Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari e da associação das equipes (Fota), trocaram várias ligações ao longo do dia. E uma vez que Schumacher aceitou correr, a hora era mais que apropriada para anunciar sua volta às pistas. A Fórmula 1 está em festa, em vez de luto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.