O supercampeão Ingo Hoffmann despede-se, hoje, da Stock Car

Ele só não disputou a primeira corrida, em 1979, mas depois disso foram 12 títulos, 76 vitórias e 61 pole positions

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

Não se sabe, ainda, exatamente, o que os organizadores, patrocinadores, atuais e do passado, bem como seus amigos irão fazer, hoje em Interlagos, para homenagear o maior vencedor da história da Stock Car, Ingo Ott Hoffmann. Tudo está sendo guardado como segredo de estado. O campeão de nada menos de 12 edições da competição despede-se, aos 55 anos, da mais importante categoria do País. Mais fotos da carreira de HoffmannMas antes de ser uma unanimidade nas pistas brasileiras, tendo participado de 332 etapas da Stock Car - faltou apenas na primeira, em Tarumã, em 1979 -, Ingo enfrentou dificuldades mais sérias dos que as 76 vitórias e as 61 pole positions sugerem. "Quando a Stock Car começou, eu havia acabado de regressar da Europa, onde corria na equipe de Ron Dennis (hoje sócio da McLaren) na Fórmula 2, sonhando ainda com a Fórmula 1", lembra Ingo."Montei um time às pressas para iniciar o campeonato na segunda etapa, em Guaporé. Meu Opala era praticamente standard e fiquei em último no grid, a 1,5 segundo do penúltimo", diz, rindo, Ingo. "E toda a imprensa estava de olho em mim, imagina." Afonso Giaffone, um dos criadores da Stock Car, o procurou e ofereceu um jogo de amortecedores distinto para melhorar o desempenho. "Nessa época, os boxes de Guaporé eram de terra. Como era eu que trabalhava o carro, de repente me vi deitado no chão, trocando um amortecedor, com o último tempo do grid, enquanto alguns meses antes eu estava na Inglaterra e com planos avançados para a F-1", recorda. Ele havia assinado contrato para correr na equipe de Emerson e Wilsinho, a Copersucar, mas o projeto não decolou como esperavam.Ingo aprende rápido a responder aos desafios. "Ano seguinte eu já fui campeão na Stock Car", afirma. "Comecei a deixar de pensar na carreira no exterior. Sinto orgulho de viver do automobilismo todo esse tempo, mas eu e minha mulher, Ruth, atravessamos bons problemas." Sua importância para a Stock Car tem a ver também com a própria sobrevivência da categoria, quando a General Motors decidiu não investir mais como antes, no final dos anos 80. "Um grupo do qual faziam parte o atual administrador, Carlos Col, o Paulo Gomes, eu, dentre outros, teve de se virar. Sentávamos no chão para passar cordões nas credenciais porque não podíamos gastar."Quem começa hoje na Stock Car, com a TV Globo transmitindo todas as etapas, encontra tudo pronto, explica o campeão. "Essa meninada competente que está aí não faz a menor idéia do que passamos para chegar onde estamos hoje."

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