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Antero Greco
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O teste mais difícil

Não é por nada, não, mas Brasil x Uruguai de hoje está com pinta de jogão, do tipo que marca uma competição e rende papo que não acaba mais. Senão pela técnica - e há gente boa em ambos os lados -, no mínimo pela rivalidade, pela história e pela proximidade de estilos dos times. Programa pra esquentar a tarde de inverno no Mineirão, se bem que o tempo pode ferver muito antes, com protestos programados para as redondezas do estádio que deixam a polícia de Belo Horizonte de prontidão total.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2013 | 02h06

Dentro de campo, não se esperem salamaleques e cortesias de nenhuma banda. Tomara, também, que ninguém apele para a ignorância e desça o sarrafo no adversário como estratégia de jogo. Não é pra tanto. Tensão na medida certa fica de acordo com a importância do clássico sul-americano que vale vaga na decisão de uma Copa das Confederações repleta de percalços e de dores de cabeça para os organizadores.

O torneio só não topou com mais problemas do que os uruguaios. Turma azarada essa! Os vizinhos enfrentaram lama na estrada, tomaram chuva pra molhar até a alma, pegaram alguns gramados ruins para treinos, trânsito infernal - e não numa cidade específica, mas em todos os lugares pelos quais passaram. No capítulo de ontem, chegaram atrasados ao Mineirão.

Só falta descontarem as aporrinhações em cima do pessoal do Felipão. E tal hipótese não é impossível de acontecer. O Uruguai tem qualidade para emperrar o sonho nacional de fechar a prévia para o Mundial com aprovação e, de preferência, com louvor e taça. Oscar Tabárez conta com elenco experimentado e com vários atletas que vivem ou já viveram por aqui - casos de Lugano, Forlán, Lodeiro, Arévalo. Na linha de frente, aposta na pontaria do próprio Forlán, além de Luis Suárez e Cavani.

A defesa e o meio-campo oscilam; a compensação vem da rodagem dos titulares, a maioria estabelecida na Europa, sobretudo em times italianos da Série A. Portanto, não se trata de vira-lata, mas de cachorro de bom porte e raça, que busca resgate da autoestima na Copa das Confederações para recuperar-se de vez nas Eliminatórias. O Uruguai é um campeão ameaçado de ficar fora do Mundial no Brasil. Torço para que o destino não pregue essa peça e ele venha; será muito bom que a Celeste volte para cá, em 2014. Extraordinário será se fizer novamente a final contra a amarelinha, como em 1950. Não, não, Maracanazo dois não! Melhor nem pensar em semelhante hipótese.

O Uruguai tem contra si retrospecto ruim nos duelos como visitante com o Brasil. Nas últimas décadas, houve uma vitória, e já faz 20 anos. Animador para Neymar e companhia, sem dúvida. Até certo ponto. A estatística indica uma tendência e não representa verdade absoluta. Os números desfavoráveis aos gringos podem ser derrubados em dois ou três potentes chutes a gol.

Exagero considerar o Brasil favorito? Também não. A equipe amolda-se passo a passo, o entrosamento cresce, jogadas surgem com frequência maior do que no início dos treinamentos, cresce a autoconfiança. Aspectos positivos impossíveis de ignorar. Parece, muitas vezes, que temos pudor de ressaltar coisas boas, para não levarmos o carimbo de ufanistas ou pachecos. O que é grande bobagem. Ter senso crítico significa analisar - com elogio, quando for o caso. Como agora. A tendência da seleção é a de encerrar a Copa das Confederações com avanços na caminhada para um bom papel no Mundial.

Há carências, sobretudo no meio-campo, tanto na proteção à zaga como na construção de jogadas. Nem sempre a transição entre defesa e ataque é feita com precisão, suavidade e ousadia. Sobra espírito de luta, às vezes com exagero, como mostraram as faltas cometidas pelos estilosos Neymar e Oscar. Mas o amadurecimento se percebe e o teste de hoje será o mais árduo. E que assim seja.

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