'O teste real começa na sexta-feira', diz o prefeito de Londres

Prefeito de Londres diz que cidade fez o possível para se preparar, mas certamente vão aparecer alguns erros

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h04

LONDRES - Uma Olimpíada é sempre lembrada por um grande atleta e um grande momento. Mas, no caso de Londres, ela poderá ter mais um ator: seu carismático e polêmico prefeito, Boris Johnson, que não hesita em defender suas ideias da forma mais criativa possível.

Nos últimos anos, Johnson foi um dos principais operadores do evento e hoje garante a cidade fez tudo o possível para receber bem os Jogos. Realista e sem espaço para falsas promessas, Johnson, do Partido Conservador, sabe que não será apenas a cidade que será testada, mas seu próprio futuro político - em 2008, foi eleito com 2 milhões de votos, um recorde na história da cidade.

Johnson falou ao Estado no sofisticado lobby da Ópera de Londres, momentos depois de roubar a cena de Plácido Domingo na abertura da reunião do COI e de recitar uma ode em grego antigo. "Que comecem os jogos, e convido a todos os brasileiros para aprender com nossos erros", disse.

Depois de sete anos de preparação, como está Londres? Está pronta. Quer dizer, acho que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para proporcionar um grande evento.

Por sua experiência, qual foi o fator mais crítico na preparação para os Jogos?Olha, prefiro falar nisso daqui a três semanas.

Porque?

Por que ainda não fomos realmente testados. O evento começa na sexta-feira e só então saberemos de fato o que funcionou e o que não funcionou. Essa é a verdade. O teste real começa nos próximos dias. Claro que trabalhamos para ter uma cidade preparada para tudo. Mas vamos esperar. Por enquanto, vamos bem. Mas vamos conversar de novo ao final do evento. Sim, teremos problemas. O segredo é como vamos resolvê-los quando aparecerem.

Há um sentimento de tensão entre os organizadores. O sr. concorda com essa afirmação?

Sim, mas essa tensão é necessária. Vivemos uma espécie de depressão moral antes dos Jogos. Mas isso vai mudar na sexta-feira e o mundo vai ver.

Qual recomendação o sr. faria ao Rio de Janeiro para 2016?

Não acho que eu possa dar uma recomendação. O Rio fará um excelente evento. O que eu posso dizer é que o Rio precisa aprender com os nossos erros para não repeti-los.

Quais foram esses erros?

Como eu disse, vamos descobrir em poucos dias.

O sr. planeja usar o evento em 2016 para promover as indústrias inglesas no Rio e no Brasil?

Isso é um dos nossos pontos prioritários. E estamos atrasados. Vou levar ainda este ano uma missão de empresários ao Brasil para que possam oferecer as soluções que os Jogos necessitam. Alemães e americanos já estão bem à nossa frente em sua ofensiva no Brasil. Vamos ter de reverter isso.

O que ficará dos Jogos?

Obviamente que os Jogos Olímpicos devem ter um legado, devem ser sustentáveis, devem marcar a diversidade de um país e ajudar a lidar com o seu multiculturalismo. Mas, acima de tudo, os Jogos são competições entre os homens. A glória da vitória e as dores da derrota. Essa é a grande moral. Que comecem os jogos.

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