O título que falta para o incrível Rafael Nadal

Espanhol, campeão de três Grand Slam em 2010, tenta encerrar temporada em grande estilo na Masters Cup

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2010 | 00h00

A temporada de Rafael Nadal foi praticamente perfeita. Venceu três Grand Slam - Roland Garros, Wimbledon e US Open -, completou sua galeria de troféus com os quatro mais importantes do tênis e, talvez mais importante, mostrou que está completamente recuperado da tendinite nos joelhos que o prejudicou em 2009. Só falta coroar o ano com um título que ainda não possui: o da Masters Cup, que começa hoje em Londres.

Embora não tenha participado do penúltimo compromisso da temporada, em Paris, por causa de dores no ombro direito, pelo histórico recente, Nadal entra como favorito na seleta reunião dos oito melhores tenistas da temporada na Arena O2. Quem considera isso são seus próprios oponentes.

"Nadal deu um salto importante para bater qualquer registro existente. Acho que ele depende mais de seu físico do que de seu tênis. Se permanece bem, como na segunda parte de 2010, pode bater Roger Federer ou qualquer um", diz o britânico Andy Murray, que abre o torneio diante de Robin Soderling (às 12 horas, com SporTV2), em jogo importantíssimo para definir quem disputará o primeiro lugar do Grupo A com o suíço - Federer entra em quadra na sequência para enfrentar David Ferrer.

O favorito entra em quadra apenas amanhã, quando mostrará diante de Andy Roddick se está totalmente recuperado do problema no ombro causado por excesso de treinamento, segundo o próprio tenista. "É difícil afirmar agora que Nadal é o melhor de todos os tempos, mas indiscutivelmente está entre os melhores. Já venceu os quatro Grand Slam, a Copa Davis, a medalha de ouro olímpica e tem um retrospecto favorável diante de Federer. E tem apenas 24 anos", elogia Murray, que espera agradar a torcida local e se classificar à semifinais.

As melhores participações de Nadal no torneio de final de ano foram em 2006 e 2007, quando parou nas semifinais. Na temporada passada, teve atuação ruim, perdendo os três jogos que disputou. Agora, quer se recuperar. "O torneio é provavelmente o que tem os adversários mais difíceis na superfície mais difícil para mim. Vai ser complicado vencer, mas vou fazer de tudo para jogar bem", afirma. Ninguém duvida do que o espanhol pode fazer quando está focado e cheio de vontade.

Federer e a ansiedade. O atual número 2 do mundo quer evitar que o papo de "Federer está acabado", "Federer não é mais o mesmo" se intensifiquem. A temporada 2010 foi uma das mais fracas da carreira do suíço depois que atingiu o ápice. Apenas quatro títulos, sendo apenas um de Grand Slam - o Australian Open no início do ano - e exibições pouco entusiasmantes nos demais. Pouco se comparado aos oito de 2007, aos 12 de 2006 e aos 11 de 2005 e 2004.

"Acho que, no fim das contas, tive uma boa temporada. Claro que sofri algumas derrotas apertadas que fizeram com que se acredite que fracassei em alguns torneios, mas não é assim", explica Federer, que pode até perder a vice-liderança da lista para Novak Djokovic em Londres, mas só pensa em destronar Rafael Nadal. "Se levantar um título aqui, ganho confiança para iniciar bem o próximo ano e brigar de novo pelo número 1."

Djokovic, Murray e Soderling lideram o grupo das ameaças aos líderes do ranking. Um título de Berdych, Roddick ou Ferrer seria grande surpresa em Londres.

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