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Antero Greco
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O torto e o direito

Meu amigo, que domingo tenso. Houve confusão na rua, antes do dérbi paulista, na confirmação de que a tensão provocada durante a semana não passaria em branco, como já se temia. A conversa de torcida única só serviu para irritar a turma extremista de Palmeiras e Corinthians e para minar os nervos da PM, que às vezes fica pilhada mais do que deveria. Teve muita gente que pagou ingresso e desistiu de entrar no estádio verde, com medo de apanhar de graça.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 02h02

Ainda bem que rancores e desavenças não foram transportadas para o gramado. O clássico mais famoso do Estado teve clima normal entre os jogadores - descontados uma ou outra dividida dura e certa catimba, que afinal fazem parte do jogo.

As duas equipes mostraram o que podem, no momento, numa constatação escancarada de tão óbvia. Os palmeirenses expuseram a ainda frágil consistência tática. Os corintianos embicaram na estrada correta, com melhor estrutura, além de clareza dos objetivos e como alcançá-los. Um se revela nervoso; o outro embala no Paulista e se apruma para a Taça Libertadores.

Ambos os casos são previsíveis, embora também apontem rumos. O Palmeiras contratou uma baciada - 19 boleiros, se não aparecer outro hoje - e tal voracidade nas compras deu a sensação ilusória de que, num passe de mágica, surgiria um esquadrão respeitável para soterrar os vexames de 2014.

Engano redondo. Em primeiro lugar, impossível tirar conjunto da cartola com gente sendo apresentada a todo instante. Em segundo, fora de propósito supor que todos vingarão. Se a metade der retorno, será lucro. Diante de tantas opções, Osvaldo de Oliveira tem o desafio de moldar equipe confiável.

Tite, ao contrário, segue o trabalho que interrompeu no final de 2013, mas que teve continuidade com Mano Menezes. O Corinthians trouxe a base montada há bom tempo, e isso pende a favor dele na balança. Mesmo com uma escalação que não contou com todos os titulares de início de temporada. Prevaleceu, porém, a ideia de jogo que todos - até os que chegaram ou retornaram - conhecem de cor.

A bola a rolar delineou a diferença de realidade. O Palmeiras só tem contorno, esboço do que pode vir a ser. A defesa não é horrível, noves fora o vacilo decisivo de Victor Hugo que resultou no gol da vitória e o desconcertou dali em diante. O problema está na proteção do setor, ainda muito exposto. Gabriel e Amaral, por exemplo, penaram para dar cobertura à zaga e aos laterais; a entrada de Arouca pode resolver.

A criação decepciona, já que nem Allione nem Robinho são "regentes"; o argentino esteve aquém dos outros jogos. Com Valdivia (quando puder) e Cleiton Xavier, a tendência é de refinamento; Maikon Leite não passa de alternativa, e olhe lá. Estranha a insistência de Osvaldo com ele, e não duvido de que logo haverá pressão sobre o técnico. Difícil cravar se Leandro será o artilheiro do elenco. (O jovem Gabriel Jesus está à espera de chance.)

O Corinthians tem uma trincheira sólida, com Cássio (bobeou na expulsão), Edilson, Edu Dracena (não sentiu o peso da estreia) e Fábio Santos. Ralf voltou a ser o fiel cão de guarda; Petros e Mendoza tiveram bom papel no meio, como opções razoáveis para substituir os titulares, Danilo aprimora a imagem de decisivo nas situações de risco e depura o estilo com a experiência. Guerrero tem prestígio e agora será pressionado por Vagner Love.

O estágio divergente deu o tom à vitória. O Palmeiras ficou à deriva, depois do gol, e não soube nem tirar proveito da expulsão de Cássio. Criou pouco, chutou a gol menos ainda. O Corinthians segurou a pressão inicial e teve sabedoria para ditar o ritmo como lhe convinha. Fez a festa na casa alheia, com justiça.

Sem alarde. O Santos, como quem não quer nada, faz a parte dele, à sombra do Trio de Ferro. Com grupo bem alterado, empatou uma e ganhou duas (com boa apresentação ontem nos 2 a 1 sobre o Red Bull.)

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