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Antero Greco
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O tribunal na sinuca

Há situações danadas para criar saia-justa. Veja a sinuca de bico em que se meteu o Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O órgão que zela pelo cumprimento das regras do futebol destas bandas dias atrás lascou punição de dois jogos de suspensão para cima de Valdivia por considerar que burlou a lei ao forçar terceiro cartão amarelo em um jogo do Palmeiras.

Antero Greco,

15 de setembro de 2013 | 02h14

O chileno pisou na bola, no entendimento do egrégio colégio, por desrespeitar o fair-play. Pior, teve a cara de pau de admitir em público, e na maior candura, que havia agido de propósito, pois na estratégia da equipe era desnecessária a presença dele na partida seguinte. Falou aquilo com sorriso, na saída do gramado - e Valdivia tem cada dentão!

Diante do cinismo do Mago, um pessoal de tevê na hora ficou na dúvida e pensou: "Epa, isso que o Valdivia fez não é errado?" Para esclarecer o dilema, agiu como manda o bê-á-bá do jornalismo: ligou para um representante do tribunal e perguntou se era correto. Como foi pego de surpresa, o entrevistado disse que precisava analisar melhor o caso, deveria estudar a fita e etc. Bom, pra não ficar chato, o relator apresentou denúncia e Valdivia pegou gancho. Para parar de ser folgado.

Não é que agora Elias age de maneira igualzinha? Com a agravante, se assim se pode considerar, de ter afirmado na beira do campo que, antes de enrolar até levar a advertência, consultou Mano Menezes para saber se pegava mal. O técnico teria dado o aval, pois a partida chegava ao final. O treinador, em seguida, desconversou, sob a alegação de que aquilo era assunto interno. Sei.

Chega-se, assim, à questão. Elias irá para as barras do tribunal por essa falcatrua inominável? A turma responsável manteve postura semelhante: "Calma lá, devemos averiguar, antes de um pronunciamento oficial..." Logo haverá resposta para o destino do delito.

Não há saída: se Elias não levar gancho como o do Valdivia, ficará claro que houve má vontade com o chileno. E isso abrirá espaço para críticas à parcialidade da corte. Ou vai ficar a impressão de que ela tentou ficar bem com a mídia. Se Elias for culpado, dar-se-á novamente realce a uma tolice, um pecadilho menor no futebol. Se evidencia uma particularidade banal em vez de se combater a violência.

Enfim, na história do Valdivia teria ficado bacana se ele levasse, no máximo, um puxão de orelhas. Agora, o tribunal que durma com esse barulho.

Então, é assim? Este tema tem a ver, de certa forma, com arbitragens. Na terça-feira, Neymar levou umas tamancadas dos marcadores portugueses, no amistoso em Boston. Foi uma pancadaria sem dó pra cima do rapaz. Que respondeu com atrevimento, dribles e gol. Enfim, como deve se comportar um craque diante de brutamontes.

O assunto chegou à Espanha e Gerardo Martino, treinador do Barcelona, mandou uns pitacos. Na avaliação do professor, o estilo de Neymar estimula instintos perversos dos adversários. Ora, os sujeitos com menos categoria se sentem ofendidos com a habilidade do brasileiro. Na falta de recursos, apelam para as botinadas.

Qual a saída? Segundo Martino, é melhor Neymar mudar - ou seja, prender menos a bola. Ora, aí tem uma inversão de valores absurda. Neymar não precisa alterar uma vírgula. Ele tem um dom especial, a ser preservado. Que sejam vigiados os pernas de pau. No primeiro coice, sua senhoria entra em ação, repreende, avisa. No segundo, chuveiro.

Simples, não é?

Projeto Libertadores. Tite assumiu culpa no fiasco do Corinthians na corrida pelo sexto título do Brasileiro e pôs como obrigação vaga na Libertadores de 2014 via Série A. Chegar ao torneio sul-americano pela Copa do Brasil é opção. Gesto maduro, de quem não foge à responsabilidade e tem pés no chão. Então, que a reação comece hoje diante do Goiás; empate será desastroso. E que a próxima temporada tenha planejamento desde já - com muita mudança.

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