O valor do título

O São Paulo projeta arrecadar entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões com o projeto sócio-torcedor, neste ano. Esse valor e uma frase do diretor de marketing, Adalberto Baptista, explicam por que o Paulistão deste ano é mais importante para o São Paulo do que foi nas temporadas recentes. "Quando o time perde, a inadimplência sobe.""

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2011 | 00h00

O clube não vence o estadual desde 2005 e nenhuma taça entra no Morumbi desde 7 de dezembro de 2008, quando Borges marcou o gol do título brasileiro contra o Goiás.

A torcida do São Paulo tem razão em preferir o título da Copa do Brasil ao Paulistão. Mas voltar a ganhar títulos o mais rápido possível significa acabar com a fila no Estadual. Em outras palavras, é proibido perder para a Portuguesa, hoje.

"O consumo no futebol está ligado às conquistas. As vitórias aumentam as vendas de carnês de sócio-torcedor e de camisas"", diz Adalberto Baptista

O Palmeiras prevê arrecadar R$ 1,5 milhão se chegar à final do Paulistão. Essa é a expectativa de dinheiro da bilheteria das partidas de hoje, contra o Mirassol, da semifinal, semana que vem, e da decisão, em maio. O gerente de futebol, Sérgio do Prado, julga que também haverá bônus dos patrocinadores pelo reforço na sala de troféus.

No caso do Palmeiras, mais do que no do São Paulo, vencer o Mirassol e levantar a taça em maio tem um valor embutido mais relevante do que o dinheiro. "No nosso caso, importante é gritar campeão"", pensa o gerente Sérgio do Prado.

O Palmeiras também não levantou troféu nenhum, nem 2009 nem em 2010. A fila anda. O Corinthians passou em branco o ano de seu centenário e só o Santos recheou seu memorial na temporada passada.

Virou chavão dizer que o Estadual não vale nada. É verdade que a hierarquia das taças coloca Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil acima do Paulistão, mas "nada"" é uma palavra forte demais. Mesmo na fase em que ganhava um título por ano, priorizava a Libertadores e orgulhava-se de ser tricampeão brasileiro, o presidente Juvenal Juvêncio não cuspia na taça paulista. "O São Paulo não entra em nenhum campeonato para perder"", dizia.

Os corintianos sonham com o Brasileirão, os santistas com a Libertadores, palmeirenses e são-paulinos querem a Copa do Brasil. Mas o primeiro pássaro na mão é o Paulista. Ganhar campeonato faz o pai convencer o filho a torcer por seu time, reforça a autoestima do clube, aumenta o tamanho da torcida.

Ah, também rende um bom dinheiro.

Que diferença! É questão de dias a assinatura do contrato do São Paulo com a TV Globo, para o Brasileirão entre 2012 e 2015. O Tricolor saltará dos atuais R$ 36 milhões para R$ 66 milhões por ano. Juvenal Juvêncio fala em 107% de aumento, número que só faz sentido sem descontar o fundo de custeio - a verba de TV fechada pagará viagens e hospedagens.

O Palmeiras também pula de R$ 36 milhões para R$ 64 milhões anuais. Os contratos são bons, embora menores do que seriam com licitação.

Mas o Corinthians salta para R$ 90 milhões, R$ 24 milhões a mais do que o São Paulo, R$ 26 milhões mais do que o Palmeiras. Até este ano, o Corinthians arrecadava R$ 41 milhões, distância de apenas R$ 5 milhões para são-paulinos e palmeirenses. O Santos receberá R$ 55 milhões, R$ 35 milhões a menos do que o Corinthians.

"Eu arrecadaria R$ 20 milhões a mais se a licitação fosse feita. Quer dizer que poderia pagar um Messi por ano"", diz o presidente do Atlético-MG, Alexandre Kalil.

E ele nem fez a conta dos paulistas...

O Fla-Flu. É decisivo o Fla-Flu de hoje para Vanderlei Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho. O ex-melhor do mundo foi vaiado no empate com o Horizonte, quarta-feira. Luxemburgo conquistou quatro de seus últimos cinco estaduais, mas fracassa nos torneios nacionais.

Campeão brasileiro com Luxemburgo no Corinthians e no Santos, Ricardinho trabalhou com o treinador no Atlético-MG, ano passado. Perguntado se há diferença entre o Luxemburgo de hoje e o do passado, Ricardinho respondeu: "Vixe Maria!""

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