Obama ajuda a resgatar heróis do passado

País lembra atletas-ativistas como Ali, Smith e Carlos

Washington, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

A posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos levou o país e o mundo a recordarem figuras que, ao lutarem pelos direitos civis do país, fizeram com que aquele momento fosse possível, como o pastor Martin Luther King Jr. O esporte não ficou de fora desta tendência e está aproveitando para reverenciar grandes nomes não só nos resultados mas nas atitudes fora de competição. Três se destacaram em especial: o boxeador Muhammad Ali e os velocistas Tommie Smith e John Carlos Smith e Carlos levantaram os punhos, mas desta vez, para comemorar a eleição de Obama. A dupla se tornou famosa em 1968, quando durante a Olimpíada da Cidade do México comemorou as respectivas medalhas de ouro e bronze nos 200 metros levantando punhos vestidos com luvas. "Era um simples clamor por liberdade em um momento de vitória", conta Smith. Mas o gesto foi interpretado como uma saudação black power - ambos perderam as medalhas e foram expulsos dos Jogos pelo gesto. De volta aos Estados Unidos ninguém lhes deu emprego, passaram por dificuldades financeiras, as juras de morte aumentaram e encontravam animais mortos na caixa de correio. A família foi afetada: a mãe de Smith morreu de ataque cardíaco. A primeira mulher de Carlos cometeu suicídio. "Estresse e tensão podem fazer com um corpo o que ninguém consegue", conclui Smith. O tempo passou, os dois refizeram suas vidas como técnicos mas o passado voltou com a eleição de Obama. Dessa vez, não em forma de ameaças, mas de reconhecimento. Smith e Carlos assistiram à posse juntos em um hotel de Boston, onde receberiam uma homenagem na Universidade de Harvard como "Heróis Verdadeiros do Esporte". Muhammad Ali estava em Washington acompanhando tudo ao vivo. Lágrimas rolaram. "Eles diziam que faria frio no inferno quando um negro conseguisse ser presidente", disse Carlos. "Olhe lá fora. Parece um dia frio no inferno para mim", concluiu o ex-velocista. Resumiu o que foi ver Obama no poder: "O melhor momento de minha vida."Mas , para Smith, a posse não marca o final de tudo. Segundo ele, há muito o que fazer nos Estados Unidos e Obama tem de provar ser digno da expectativa do povo que votou nele não por ser negro, mas por sua competência. "Não significa que nosso trabalho acabou. Ele está apenas começando. E eu não digo apenas os negros, mas toda a nação."

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