Oberdan: ''Jogamos com raiva a decisão de 1942''

"Completei 90 anos de idade dia 12 de junho, mas aquele jogo com o São Paulo, em 20 de setembro de 1942, no Pacaembu (45.913 pagantes), jamais vai sair da minha memória. Só eu estou vivo daquele time que entrou em campo pela primeira vez com o nome de Palmeiras. Por causa da guerra, o Palestra Itália precisou trocar de nome. O Brasil fazia parte dos Aliados, que eram contra Alemanha, Japão e Itália. Quando soubemos disso no sábado, durante a concentração, ficamos revoltados. Ainda mais eu que era descendente de italianos. Tinha mais gente da mesma origem no grupo. O Lima chorou muito, porque ele tinha sido criado dentro do clube e sabia de tudo de bom que era feito lá dentro. Os dirigentes do São Paulo foram os maiores responsáveis por aquela mudança, pois alguns deles, militares e políticos, queriam pegar o terreno do Palestra Itália. Entramos em campo carregando a bandeira do Brasil e fomos muito vaiados pela torcida do São Paulo. Aquilo só nos deu mais força para buscar a vitória na partida decisiva, que garantiria o título estadual. O São Paulo abriu o placar logo de cara (Cláudio, aos 20 minutos do primeiro tempo). O time deles, assim como o nosso, era muito bom. Tinha vários craques de cada lado. A desvantagem no placar não tirou o nosso entusiasmo. Empatamos e viramos o placar antes do intervalo (Waldemar de Brito, aos 23, e Del Nero, aos 43). Ampliamos (Echevarrieta, aos 15 minutos) e a vitória só não foi maior porque o São Paulo deixou o campo, depois que o juiz marcou um pênalti do Virgílio, que acabou expulso. O Luizinho não deixou a gente cobrar a penalidade. O São Paulo foi até suspenso de um jogo no campeonato. Comemoramos tanto a vitória - teve gente que exagerou nas noitadas durante a semana - e a conquista do título, que nem demos bola para o jogo seguinte, que era contra o Corinthians, nosso grande rival, e acabamos perdendo por 3 a 1."

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