Objetivo é quebrar jejum de 44 anos

Último a subir ao pódio foi Servílio de Oliveira, no México, em 1968. Everton Lopes promete ser o próximo

WILSON BALDINI JR., O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h09

Em 2007, no Pan do Rio, o baiano Pedro Lima sagrou-se campeão e quebrou um jejum de 44 anos sem a medalha de ouro para o boxe brasileiro. Ano que vem, em Londres, a nobre arte nacional terá um desafio semelhante. Ela está o mesmo período sem obter um lugar no pódio olímpico. Desde Servílio de Oliveira, na Cidade do México, em 1968, que um pugilista tupiniquim não fica entre os três primeiros colocados.

"Isso vai acabar também", avisa o também baiano Everton Lopes, dono da única medalha de ouro brasileira em campeonatos mundiais. Everton, de 23 anos, ficou em primeiro lugar na categoria dos meio-médios-ligeiros (até 63 quilos), em Baku, no Azerbaijão, quando venceu o ucraniano Denys Berichyk.

"Agora, são eles (os estrangeiros) que precisam se preocupar em estudar a gente", disse o pugilista, que ficou com a medalha de bronze no Pan-Americano de Guadalajara, em outubro.

Com experiência internacional, Everton se mostra à vontade para colocar em ação seu estilo agressivo. Com ótimo jogo de pernas e boa pegada, o brasileiro é um dos favoritos a ficar com uma medalha na Inglaterra.

Mas Everton não é o único. O Brasil já tem mais dois pugilistas classificados para Londres. O leve (até 60 quilos) Robson Conceição e o médio (até 75 quilos) Esquiva Florentino também carimbaram seu passaporte para os Jogos Olímpicos durante o Mundial de Baku.

Outros lutadores, como Myke Carvalho e Yamaguchi Falcão, poderão também se garantir na Olimpíada no ano que vem, quando será disputado no Ginásio do Maracanãzinho o Pré-Olímpico das Américas, de 11 a 20 de maio. A competição promete ser menos equilibrada que o Mundial, afinal não se trata de uma disputa intercontinental com a presença principalmente de lutadores europeus e asiáticos.

Se o Brasil vai buscar sua primeira medalha depois de mais de quatro décadas, a seleção cubana terá como grande objetivo recuperar o prestígio abalado em Pequim/2008, quando o time de Fidel Castro foi atingido por um duro golpe após série de deserções.

De uma hora para outra, os cubanos se viram sem Odlanier Solis, Yuriorkis Gamboa, Yan Barthelemy, Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara. Todos pugilistas com grande experiência internacional e referências em suas categorias.

As seis medalhas (quatro de prata e duas de bronze) conquistadas em ringues chineses não sensibilizaram os dirigentes cubanos, que prepararam sua equipe para uma performance totalmente diferente em Londres.

Apesar da diferença técnica muito grande entre as competições, os cubanos já mostraram no Pan de Guadalajara que o trabalho está rendendo frutos. Foram oito medalhas de ouro e uma de prata. Com destaque para Roniel Iglesias, que venceu o brasileiro Everton Lopes, apresentando um boxe repleto de recursos e exemplar jogo de pernas.

Além dos cubanos, os mexicanos, pelo planejamento feito para o Pan de Guadalajara, também se apresentam fortes para os Jogos de Londres.

E jamais pode-se menosprezar os pugilistas que representam o Leste Europeu, sempre extremamente fortes fisicamente e resistentes ao castigo.

Everton, Esquiva, Robson e os demais brasileiros para os quais iremos torcer ainda não sabem quais serão seus adversários, mas o certo é que o caminho será difícil até os degraus do pódio.

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