Obras em estádios já passam dos R$ 6 bilhões

Essa é a estimativa inicial e oficial, mas valores devem crescer. Prazo para o início das obras é 3 de maio e os trabalhos estão atrasados

WAGNER VILARON, COM OS CORRESPONDENTES ÂNGELA LACERDA, ANNA RUTH, CARMEM POMPEU, EDUARDO KATTAH, ELDER OGLIARI, EVANDRO FADEL, FÁTIMA LESSA, LIEGE ALBUQUERQUE, RAFAEL MORAES MOURA E TIAGO DÉCIMO, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Só a construção e a reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, vão consumir R$ 6,3 bilhões. A estimativa está baseada em orçamentos oficiais feitos pelos comitês organizadores das 12 cidades-sede do evento. No topo da lista está o Maracanã, cuja reforma deve consumir R$ 1,4 bilhão. Logo atrás vem a construção da arena de Brasília, avaliada em R$ 740 milhões, mas que deve chegar a R$ 1 bilhão. Até aqui, os mais contidos nos gastos são os gaúchos. A ampliação da capacidade de público e adequação do Beira-Rio estão em módicos R$ 60 milhões.

Por se tratar de números oficiais, a expectativa do mercado é de alta nas projeções. No comparativo com investimentos para a Copa da África do Sul, o Brasil já comprometeu mais do que o dobro, uma vez que os sul-africanos calcularam em R$ 2,65 bilhões os gastos com estádios.

A presença de valores que facilmente atingem os sete dígitos é apontada como uma das causas do atraso generalizado das obras, Os comitês locais argumentam que dependem da liberação de empréstimo por meio de linha de crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Inicialmente, os trabalhos deveriam começar em março. Ao perceber que a data se aproximava e que nada era feito, a Fifa decidiu estender o prazo até 3 de maio. A data mudou, mas o ritmo das reformas permanece inalterado.

A demora provocou manifestação pública do ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, que no final do ano passado mandou recado aos responsáveis. "O sinal de alerta já foi ligado", observou. "Precisamos transformar nossos projetos e discursos em obras."

Apesar do cenário preocupante que envolve a proximidade do encerramento do segundo prazo e da bronca do ministro, autoridades das cidades-sede mantêm o discurso otimista. A duas semanas da data limite, a maioria garante que vai cumprir a determinação. "Vamos começar as obras em maio, seguindo rigorosamente o cronograma da Fifa", destacou o secretário especial da Copa de 2014 em Natal, Fernando Fernandes.

Curiosidade. Por trás de tanto otimismo e segurança, porém, está um detalhe curioso: aquilo que a direção dos comitês entende por "início das obras". O caso da construção da Arena de Dunas, em Natal, é emblemático. O estádio só começará a ser erguido em 2011, mas os responsáveis defendem que a obra começará em 15 dias, pois nesse período serão demolidos o ginásio Machadinho e o estádio Machadão. Após retirado os entulhos, será iniciada a obra da nova arena.

Caso bem parecido acontece em Manaus. Enquanto o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público Estadual (MPE) recomendam à Caixa Econômica Federal (CEF) que não libere verba para a Arena Amazônia até que o projeto para a construção de um monotrilho seja regularizado, as autoridades garantem que a obra será iniciada dentro do prazo. "No máximo em 20 dias começaremos a demolição (do Vivaldão) e entendemos que esse é o primeiro passo da construção do novo estádio", ponderou o secretário municipal de Transportes, Fabrício Lima.

Os pernambucanos são mais ousados. Além de garantirem que os trabalhos da Arena da Copa, localizada no município de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana de Recife, começarão até o dia 3, asseguram que o novo estádio estará pronto até dezembro de 2012. A pressa é para transformá-lo em uma das cinco sedes da Copa das Confederações, marcada para 2013. A competição, que acontece sempre um ano antes do Mundial, serve como ensaio.

Poço sem fundo. A grandeza do Maracanã está refletida também no orçamento das obras para adequá-lo às exigências da Fifa. A primeira projeção de gastos, que já se aproximava de R$ 1 bilhão, aumentou em 40% após as fortes chuvas que castigaram o Rio há duas semanas. Diante das imagens do gramado e dos vestiários inundados, a Fifa solicitou que providências fossem tomadas em relação à drenagem do local.

Morumbi, Arena da Baixada e Beira-Rio passam por problema parecido. Por serem os únicos estádios privados inscritos para a Copa do Mundo, não podem receber dinheiro público, causa do pessimismo da Fifa em relação ao palco são-paulino. No entanto, dirigentes do Atlético-PR e do Colorado não parecem muito preocupados. "Cerca de 80% da Arena já está feita. Não tem reforma, apenas precisamos acrescentar algo em torno de 20% a 25%", afirmou o presidente do clube, Marcos Malucelli. Em Porto Alegre, a cúpula do Internacional calcula que a remodelação da Beira-Rio consuma por volta de R$ 60 milhões, o menor orçamento entre as 12 sedes.

Abertura. Diante da dificuldade do São Paulo em aprovar o projeto do Morumbi, os comitês de Brasília e Belo Horizonte se animaram para receber a abertura. Enquanto em Minas o governo concluiu a licitação para a segunda etapa das obras do Mineirão, no Distrito Federal a situação é mais delicada. A concorrência para a reforma do Mané Garrincha foi suspensa pelo Tribunal de Contas, fato que dificultará o cumprimento do prazo. "Respondemos a todas as críticas. Agora cabe ao Tribunal julgar", disse o responsável pela Copa no DF, Sérgio Graça.

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