Obras mandam esportes para o exílio

Enquanto novo estádio é construído, várias modalidades buscam alternativas para seguir ritmo de treinamentos

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

Há tempos a quadra dos fundos do Nacional Atlético Clube não recebe uma bola rolando. Aliás, o futebol e o basquete que lá eram jogados viraram história. O chão ganhou novo piso e está repleto de aparelhos usados pelos ginastas do Palmeiras. Assim como a ginástica, várias modalidades do clube estão exiladas e tiveram de procurar um novo lar após o início das obras no Palestra Itália.

Desde que a WTorre colocou seus funcionários e máquinas para trabalhar, em outubro, o clube passou a ter nova vida. Enquanto muitas pessoas procuram se associar agora, imaginando um clube remodelado em até dois anos (a previsão para o estádio ser entregue é abril de 2013), houve uma queda acentuada no quadro de associados, de 15% em sete meses.

As reclamações dos sócios são muitas. E uma das principais é a necessidade do deslocamento. Apenas algumas modalidades seguem no Palestra, como aikidô, caratê, levantamento de peso, tênis e pugilismo, por exemplo. Outras, no entanto, tiveram de ser remanejadas, o que só trouxe mais gastos ao clube.

O primeiro passo foi achar um lugar para treinar. O pessoal do atletismo (ou corrida de rua, como é mais conhecido), que antes corria no entorno do estádio, preferiu se reunir no Parque da Água Branca, uma alternativa saudável e gratuita. Nada comparável ao trabalho dado ao departamento de ginástica.

Só para montar o piso no ginásio do Nacional, o Palmeiras teve de gastar R$ 7 mil. E mais R$ 8 mil mensais pelo aluguel do local. "Tivemos de levar todos os aparelhos e ainda comprar um trampolim suspenso", conta Luciana Santilli, a responsável pela ginástica aeróbica, artística e acrobática.

Desistência. Alguns atletas seguem firmes com seus horários. Outros desistiram por causa das mudanças - tem modalidade que viu a frequência de alunos cair 70%. "Hoje só tenho menor espaço físico", diz Flávio Buongermino, da bocha.

Se no Palestra ele contava com três canchas, agora utiliza uma, no Clube Jaguara. E são apenas os atletas da equipe que vão até lá treinar e competir. Antes, mais gente gostava de jogar bocha nos fins de semana. "Claro que no Palmeiras tínhamos mais comodidade, mas não podemos reclamar", comenta Flávio, cujo departamento passou a ter um gasto extra de R$ 1,2 mil por mês com a mudança.

O hóquei in line foi para o Baby Barioni, num bom acordo. "Eles cederam o espaço e ajudamos com a melhoria do local, como iluminação e pintura", diz Roberto Tadeu Specht, do hóquei. O judô (na Federação Paulista de judô) e a patinação (clube Alvi Verde e na quadra do Corpo de Bombeiros da Casa Verde) foram os outros esportes desalojados do Palestra que seguem distante do clube.

Basquete, vôlei e futsal continuam sob o símbolo palestrino, apesar de longe do estádio: treinam na Academia de Futebol.

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