Marcos Caetano, marcos.caetano@terra.com.br, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

O Campeonato Brasileiro entra na reta final com uma inédita quantidade de times ainda lutando pelo título. Nada menos do que cinco: Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, São Paulo e Flamengo. A situação é tão interessante que, na presente edição do Brasileirão, os candidatos ao título são exatamente os mesmos candidatos às vagas da Libertadores 2009, sem espaço para convidados de última hora. Com o tanto que eu mesmo e muitos colegas da crônica esportiva já escrevemos sobre esses cinco clubes, prefiro dedicar o espaço de hoje para falar de outra competição absolutamente empolgante, disputada por apenas oito clubes. Para entender essa competição, entretanto, o leitor precisará virar a classificação do jornal de cabeça para baixo.O octogonal a que me refiro é a competição disputada pelos clubes ameaçados pelo rebaixamento, uma competição que terá quatro campeões - não importa a ordem de chegada - e quatro grandes derrotados. Na verdade, os dois primeiros colocados do octogonal até terão, sim, um belo prêmio de consolação. Como o Sport, campeão da Copa do Brasil, também vai disputar a Libertadores no ano que vem, os times que chegarem à frente no tal octogonal disputarão a Copa Sul-Americana. Nada mal para quem lutava apenas para não cair, diga-se. Os oito clubes que disputam o inglório torneio são: Santos, Figueirense, Náutico, Portuguesa, Fluminense, Vasco, Atlético-PR e Ipatinga. Santos e Figueirense têm boas chances de ficar com o prêmio de consolação e, com um pouquinho de boa vontade, poderiam até ser considerados fora de risco. Ocorre que os oito clubes ameaçados farão vários confrontos entre eles, fato que acentua ainda mais as características de um octogonal e não permite salvar, ao menos por enquanto, a pele de nenhum deles. Na atual rodada, por exemplo, para não ir mais longe, temos Santos x Figueirense e Náutico x Portuguesa. Justamente, pela ordem, os quatro que lideram o octogonal. Os quatro que escapariam se o campeonato acabasse hoje. Tantos confrontos diretos farão com que todos esses times, que mostraram ataques limitados e defesas pouco seguras ao longo da competição - caso contrário, não estariam tão mal -, tenham necessidade de contrariar seus instintos e arriscar tudo.É muito difícil arriscar algum prognóstico. Mas o fato é que Santos e Fluminense têm, ao menos no papel, elencos mais fortes do que os demais. O Santos, até mesmo, já desenha uma trajetória de recuperação. Hoje, tem mais chances de estar na Sul-Americana do que na Série B do ano que vem. O Fluminense é o atual vice-campeão da Libertadores e, se não tem todas as peças do time que encantou o país no primeiro semestre, tem 70% daquela base. Não deveria estar nessa situação, mas parece ter seguido à risca aquele infame comentário do Renato Gaúcho sobre "brincar no Brasileirão". Brincou muito e agora sofre. Até porque a tabela do Tricolor não é nada fácil e o clube não conta com um alçapão capaz de intimidar os adversários. Renato, aliás, corre o risco de ser um treinador com participação no rebaixamento de dois clubes cariocas.A Portuguesa, ainda mais depois da vitória sobre o Grêmio, parece revigorada e disposta a sair do sufoco. O Vasco também conseguiu uma vitória extraordinária em Goiânia, com os jogadores fazendo juras de luta eterna. Pela tradição, ainda pode escapar. O que me leva a, ao menos por enquanto, acreditar que os maiores candidatos ao rebaixamento são mesmo Náutico, Atlético-PR e Ipatinga, equipes com dificuldades para vencer até em seus estádios. O quarto rebaixado tem grande chance de ser uma grande e tradicional equipe do país. Vasco e Fluminense começarão a decidir isso em confronto direto, em alguns dias. Sugestivamente, no Dia de Finados.

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