Odebrecht sugere a redução de sedes

É inviável fazer o evento em 12 cidades, afirma seu presidente. Ricardo Teixeira ironiza e diz que não haverá mudança

Glauber Gonçalves Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2010 | 00h00

Os problemas que envolvem a construção e reforma de estádios para a Copa de 2014 podem levar à redução do número de cidades-sede. A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto da Silva Júnior, durante o seminário "Diálogos Capitais", promovido pela Carta Capital no Rio. "Não enxergo 12 sedes como viáveis. Acho que ao longo do tempo isso vai se ajustar para oito ou dez sedes", declarou. "Alguns estádios vão ter dificuldade para sustentar esses investimentos", complementou.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador do Mundial, Ricardo Teixeira, ironizou as declarações do executivo. "Não tem a menor possibilidade de isso acontecer. Não tem nenhum Benedicto no Comitê Organizador Local."

Na saída do seminário, o executivo da Odebrecht ressaltou que não integra a comissão organizadora da Copa nem exerce influência para a revisão de sedes. Apenas fez uma análise sobre a possibilidade de problemas como o da arena de Natal levarem ao abandono do projeto como melhor solução. "Na avaliação da Odebrecht, há estádios com problemas estruturais, de licitação, de prazo. É natural que, ao encontrar dificuldades, alguém reveja este processo."

O deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), da subcomissão de fiscalização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 da Câmara dos Deputados, disse que pelo menos cinco arenas previstas para a Copa tendem a se tornar "elefantes brancos" pela falta de campeonatos regionais de futebol expressivos que garantam sustentabilidade econômica após o evento. Torres citou os projetos de Cuiabá, Manaus, Brasília, Fortaleza e Natal. Ele chamou a atenção para o caso de Natal, onde a licitação para a construção do estádio foi suspensa pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sem ao menos a definição do terreno onde será localizado. Ele identificou indefinições até mesmo nos estádios privados, como o do Atlético-PR, em Curitiba. "A Fifa é exigente, mas há espaço para negociações. O Brasil deveria aproveitar que, em janeiro, teremos novos governos federal e estaduais e rever os compromissos com a Fifa. Ela negociou com Alemanha e África.".

Na exposição feita ontem pelo Comitê Organizador Local, oito projetos foram considerados dentro do cronograma. Apenas Curitiba e Fortaleza têm atrasos, mas que "não preocupam". As dúvidas se restringem a São Paulo e Natal, que o comitê espera ter sanadas em pouco tempo.

/ COLABOROU SILVIO BARSETTI

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