Ofensivo e veloz. Este é o Brasil para a estreia/Reuters
Ofensivo e veloz. Este é o Brasil para a estreia/Reuters

Ofensivo e veloz. Este é o Brasil para a estreia

Equipe orientada pelo técnico Ney Franco inicia sua caminhada rumo à Olimpíada de madrugada contra o Paraguai

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2011 | 00h00

Ney Franco, técnico da seleção brasileira sub-20, evita falar sobre o ineditismo da medalha de ouro olímpica para o futebol mais vitorioso do planeta. O treinador acredita que isso poderia pressionar demais a garotada. Não é para menos, uma vez que acabar com esse jejum se transformou em obsessão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). E o primeiro passo para mais uma tentativa de fazer com que o País conquiste a única honraria que lhe falta no cenário internacional será dado na noite de segunda para terça, à 0h10 (de Brasília), quando a seleção estreia no Sul-Americano - que nessa edição vale também como um Pré-Olímpico -, contra o Paraguai, no Estádio Jorge Basadre, em Tacna, no Peru. O Brasil está no Grupo B, ao lado de Colômbia, Bolívia e Equador.

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Todo cuidado e atenção dados ao grupo ficaram evidentes logo no planejamento de treinos. Os jogadores se apresentaram na Granja Comary, em Teresópolis, local tradicionalmente utilizado pela equipe principal, no dia 13 de dezembro, logo após o encerramento do Campeonato Brasileiro. E lá permaneceram por um mês (exceção às paralisações de Natal e réveillon), até o embarque para o Peru. "Sem dúvida tivemos um bom período para trabalhar o time, fazer os ajustes. Tenho certeza de que chegamos em boas condições para a estreia", observou Ney Franco.

Características. No Peru, duas características devem marcar a equipe brasileira. A primeira delas é a ofensividade. Ney Franco não esconde de ninguém que deseja ver um time agressivo, que reduza espaços e não dê oportunidades aos adversários para controlar e ditar o ritmo da partida. E para isso conta com um ataque poderoso, que tem o meia-atacante Oscar, do Inter, na articulação, Henrique, que é do São Paulo, mas disputou o último Brasileiro pelo Vitória, centralizado na frente, e a dupla Lucas e Neymar movimentando-se para enlouquecer a zaga. "Aproveitamos bem todo esse tempo juntos para entrosarmos bem. O Brasil chega forte", analisou o craque santista, principal nome da competição.

A segunda é a velocidade. Por diversas vezes os jogadores foram cobrados para que marquem forte no meio-campo e encaixem contra-ataques com, no máximo, três toques na bola, sempre para aproveitar a desorganização da defesa. "Procuramos respeitar as características dos nossos jogadores", explicou o treinador.

Apesar de tantas observações e do tempo para treinar, há um fator que ainda preocupa a comissão técnica e sobre o qual não há muito o que fazer: controlar a ansiedade. "A gente recebeu várias informações, ajustamos o posicionamento da defesa e do ataque, nos preparamos fisicamente. Mas quanto a isso (ansiedade) o único remédio é jogar logo'', afirmou o zagueiro do São Paulo e capitão da seleção, Bruno Uvini.

De igual para igual. Pode ser apenas discurso de véspera. Mas na última movimentação que os paraguaios fizeram antes da partida contra o Brasil, o técnico Adrian Coria deixou claro qual será sua estratégia para surpreender os favoritos. "Vamos jogar de igual para igual com o Brasil. Se ficarmos parados lá atrás, preocupados apenas em nos defender, certamente sofreremos gols", comentou. "Vamos mostrar para os brasileiros que eles terão de se preocupar conosco também."

O raciocínio do treinador é compartilhado pelos jogadores. "Vocês (brasileiros) dizem que a melhor defesa é o ataque. Pois é, isso representa bem a nossa ideia para esse jogo", afirmou o atacante Jorge Ortega, que disputa uma das duas vagas na frente com Miguel Medina e Brian Montenegro. "Vamos definir o ataque apenas no dia do jogo", explicou Coria.

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