Oito meses depois dos Jogos, esporte vive fase delicada

Zanetti ainda espera por melhora estrutural, enquanto Diego Hypólito, dispensado pelo Fla, procura por um clube

ALESSANDRO LUCCHETTI, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h03

O ginásio onde treina o campeão olímpico Arthur Zanetti só não inunda porque seu pai, Archimedes, que é serralheiro, construiu comportas que impedem que a água que descia do campo de futebol ao lado o invada. Nesta época do ano, é comum os pais dos alunos, vinculados à Associação de Ginástica Di Thiene, venderem rifas de ovos de páscoa para reforçar o caixa da entidade, que coordena o clube SERC Santa Maria, de São Caetano do Sul.

O velho ginásio recebeu um jogo de aparelhos de musculação do Comitê Olímpico Brasileiro, mas Marcos Goto, o treinador e mentor de Zanetti, quer mais. "Eu quero um ginásio novo. Por que não podemos ter um? Se a medalha não servir para mudar nossa estrutura, não terá valido a pena", desabafa o treinador.

Zanetti se diz desapontado com a falta de avanço em termos de estrutura. "Eu achei que os progressos viriam mais rapidamente depois da medalha."

Hoje, o ginasta embarca para Doha, no Catar, onde será disputada a próxima etapa da Copa do Mundo, do dia 27 ao 29. "Meu objetivo nessa competição é apenas competir, sem pressão."

Enquanto Zanetti enfrenta seus dilemas, Diego Hypólito e outros sete ginastas, dispensados pelo Flamengo, vivem a situação de "sem clube". Nesta semana, ele faz seus treinamentos no Pinheiros, graças a um convênio firmado pelo COB. Na próxima semana, pode fazer o mesmo no Minas Tênis.

"Depois da repercussão negativa da nossa dispensa, o Flamengo me procurou e me propôs que continuasse lá por 30% do que recebia. Depois de 19 anos no clube acho que mereceria maior valorização e respeito. Até concordaria com 60 ou 70%, mas 30% realmente não dá."

Diego, que ainda se considera no páreo por uma medalha olímpica, acha que o quadro da ginástica deve mudar radicalmente se o Brasil quiser evitar um desempenho pífio em 2016. "O que não entendo é que no início de um ciclo olímpico atletas da seleção principal passem por isso."

Oito meses depois da Olimpíada de Londres, o campeão mundial em duas ocasiões mudou sua versão sobre seu insucesso. Na época, dissera que amarelou. "Tive oito cirurgias no mesmo ciclo olímpico. Mas naquele momento não quis falar sobre isso. Ia parecer desculpa."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.