Oleg prevê carreira curta para Daiane

Ginástica no Brasil virou sinônimo de Daiane dos Santos. Mas o público que simplesmente adora a carismática gauchinha que consegue fazer difíceis acrobacias no solo sorrindo, pode não ter Daiane dos Santos nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, ou no Pan-Americano do Rio, em 2007. O próprio técnico ucraniano Oleg Ostapenko, de 60 anos, comandante da equipe técnica do Brasil, não garante carreira longa para Daiane. Oleg confirma que ela não pode mais treinar como antes por causa dos joelhos, alvos de sucessivas lesões. "Ela começou tarde na ginástica, teve problemas com os joelhos e hoje treina mais ou menos, tem de dosar nos treinos. Por causa do joelho é difícil prever o futuro", disse o treinador, numa entrevista exclusiva à Agência Estado. O público terá de se conformar com as aparições brilhantes, mas cada vez mais raras, de Daiane. Sobre resultados, prefere dizer que a curto prazo as chances de Daiane ainda são muito boas. "Ela pode ganhar medalha no Mundial (em Melbourne, na Austrália, em novembro)", disse o exigente Oleg, que está no Brasil e trabalhando com Daiane desde abril de 2001. Planejamento? Só o de 2005. Daiane, que competiu uma única vez, em São Paulo, fará ainda a Universíade, em agosto, o Pré-Pan, em outubro, e o Mundial, em novembro. Não sabe se irá à etapa da Copa do Mundo de Stuttgart, em outubro. Oleg é quem vai escalar a seleção. Daiane, a melhor atleta do País em 2003 e 2004, foi a primeira brasileira a ganhar ouro no solo em um Mundial (Anaheim, nos EUA, em 2003), a ter uma acrobacia - o duplo twist carpado - com nota Super E e batizada como Dos Santos, uma honra máxima para uma ginasta. Também tem medalhas nos Pan-Americanos de 1999 e 2003 e foi campeã no solo em seis etapas da Copa do Mundo, entre 2003 e 2005 - a última, a de São Paulo, em abril. Mas a chance que deixou escapar de ganhar uma medalha olímpica em Atenas, no ano passado, pode ter sido única. Daiane ficou em 5º, fato inédito para a ginástica brasileira. A própria Daiane, de 22 anos, 1,45 m e 40 quilos, não cria expectativas. "Pequim está tão longe". Nem mesmo no Pan do Rio, em 2007, um ano antes, garante competir. "Agora está ainda mais difícil. Para chegar ao Pan, tem o Pré-Pan, em outubro. Metade da equipe tem 13 anos, eu tenho 22. Elas têm mais gás. Para me manter no time tenho de estar em forma". Os joelhos foram os algozes de sua carreira. Em 2002, fez uma cirurgia para corrigir um problema no tendão patelar esquerdo. Em 2003, nas vésperas do Pan de Santo Domingo, passou por uma videoartroscopia no direito. E, em 2004, passou por nova cirurgia, bem perto da Olimpíada de Atenas, para a retirada de um pedaço solto da cartilagem do joelho direito. No fim do ano, após mais um ouro na etapa da Copa do Mundo de Birmingham, em dezembro, cogitou nova cirurgia (enxerto no joelho direito) que, após avaliações, acabou substituída por uma decisão de "poupar os joelhos", evitar o desgaste, escolhendo as competições. Daiane já disse que "convive com a dor" e que a fisioterapia e o repouso fazem parte desse cotidiano. "Está tudo bem com o meu joelho", sem nem deixar a repórter completar a constante pergunta.

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