Olimpíada de 2008: Pequim é favorita

Política, sentimento e geografia, todos os pontos convergem para a mesma direção: salvo um imprevisto, a China será a sede de uma Olimpíada pela primeira vez em 105 anos de história. Apesar das críticas a um país que não respeita os direitos humanos, Pequim é a favorita para ganhar, nesta sexta-feira, a maioria dos votos dos delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI). A 122.ª sessão do COI, no World Trade Center de Moscou, Rússia, será aberta com a escolha da anfitriã dos Jogos Olímpicos do verão de 2008 e encerrada, na segunda-feira, com a eleição do substituto de Juan Antonio Samaranch, após 21 anos. Hoje, foram lançados dois livros sobre a vida de Samaranch: De Moscou a Moscou e Sétimo Presidente. As cidades que estão mais diretamente na briga com Pequim são Paris, França, e Toronto, Canadá. As cidades japonesa Osaka e turca Istambul são candidatas mais frágeis. "Não quero usar a palavra favorito, mas estamos concentrados em um único objetivo: a medalha de ouro", afirmou, hoje, Tu Mingde, secretário-geral da proposta de Pequim. Toronto, com ênfase nos atletas, e Paris, com seu charme, projetam a imagem de ter propostas tecnicamente superiores, escolhas livres de risco. Mas os membros do COI podem, inclusive, estar cativados pelo alto risco. O retorno de uma Olimpíada no país mais populoso do mundo - 1,2 bilhão de habitantes - também pode ser alto. "Há um sentimento de que poderia ser bom para o mundo e para a China", disse o vice-presidente do COI, Kevan Gosper, da Austrália, ontem. Há oito anos Pequim perdeu, por dois votos, para Sydney a sede dos Jogos de 2000. Mas a proposta da China enfrenta também oposição. Políticos e grupos de direitos humanos têm bombardeado os membros do COI com e-mails anti-Pequim. A polícia russa acabou, hoje, com um protesto de ativistas tibetanos contra Pequim, prendendo seis manifestantes e um fotógrafo. Os críticos insistem que a Olimpíada na China seria o apoio a um regime repressivo e líder nos abusos contra os direitos humanos, mas os advogados da candidatura afirmam que os Jogos poderiam provocar mudanças que todos querem. Toronto, que lidera um forte lobby contra Pequim, confia no trabalho. "Estamos cabeça a cabeça com Pequim", disse o chefe da candidatura, John Bitove. "Nossa mensagem é pôr os atletas em primeiro lugar e manter os políticos fora da decisão." Os canadenses acham errado acreditar que a Olimpíada poderia mudar a situação política de um país. Os defensores de Paris desanimaram diante da força de Pequim, mas insistem que ainda têm chances. "Não há razão para ser pessimista ou muito otimista", disse o chefe da proposta, Claude Bebear. Outro forte argumento em favor da China é geográfico. O continente europeu será a sede da Olimpíada de verão em 2004 (Atenas, Grécia) e de inverno em 2006 (Turim, Itália). A América do Norte já sediou várias Olimpíadas. Votos - Nesta sexta-feira, a decisão será tomada em votação secreta. As cidades terão 45 minutos cada uma para defender as suas propostas. Os delegados dos países de cidades concorrentes não votam na primeira rodada. Inicialmente, serão 109 delegados, sendo necessários 55 votos para a eleição terminar após a primeira rodada. Sem maioria simples, a cidade menos votada será eliminada e os delegados iniciam uma segunda rodada de votação e quantas forem necessárias até uma candidatura obter a vitória. Será a primeira eleição desde o escândalo de corrupção na escolha de Salt Lake City, em 1998 - membros do COI foram acusados de aceitar presentes e dinheiro.

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