Olimpíada sem transmissão da Globo rendeu aprendizado

Audiência de canal pago durante os Jogos passou de 8 milhões por dia, enquanto ibope da Record cresceu 35%

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2012 | 03h05

A primeira Olimpíada sem transmissão da Globo foi um aprendizado útil para a televisão, habituada a ter as cartas sempre nos mesmos lugares. A saber:

1) A Globo aprendeu a lidar com a cobertura jornalística "digna", como prometeu, de um evento relevante, cujos direitos de transmissão não lhe pertencem.

2) A Record pôde se apresentar a uma faixa de público AB, que normalmente não sintoniza a emissora, e ampliou em 67% a participação desse nicho na sua audiência em São Paulo. Mais: teve a chance de virar telhado de vidro, como acontece normalmente à Globo, sendo apedrejada por escolhas nem sempre ao gosto da audiência.

3) Deu a SporTV, ESPN e BandSports a oportunidade de cada uma se reinventar na transmissão de um evento desse naipe, sem credenciais suficientes - a Record ficou com mais de 350 e deu 60 ao SporTV, que distribuiu o bolo com ESPN e Band. Assim como a ESPN, a SporTV teve de montar estúdio fora dos domínios do Centro de Transmissões Internacionais (IBC, na sigla em inglês) para dar conta da produção. A Band se apoiou no ônibus circular providenciado para suas entrevistas.

Rinha. Com todas as centenas de horas anunciadas por todos os canais, foi o episódio da briga entre Galvão Bueno e Renato Maurício Prado, pelo SporTV, que roubou as atenções. "É muito pequeno, isso", desdenhou o diretor de conteúdo do SporTV, Raul Costa Neto, ao Estado, por telefone, de Londres.

Tanto Raul quanto João Palomino, da ESPN, voltam para a casa com a sensação de dever cumprido. Comparando TV aberta e TV fechada, é possível dizer que o SporTV aproveitou o menu de Londres mais que a Record em termos de audiência. O ibope da Record, em números absolutos, cresceu 35% em São Paulo e não foi suficiente para vencer nem sequer o SBT em várias ocasiões.

Já no SporTV, durante as 68 horas que a Record transmitiu ao vivo de Olimpíada, nos nove primeiros dias do evento, a soma de seus canais atraiu mais audiência que a rede aberta no universo masculino com mais de 12 anos, entre assinantes de TV paga. O SporTV contabilizou, com base em números do Ibope, uma média de cerca de 8,6 milhões de pessoas diante de suas telas por dia. A ESPN informou que não tem ainda retorno de audiência, mas Palomino sabe que o canal nunca sai de uma cobertura como essa do mesmo tamanho que entrou. "A audiência aumenta durante o evento e, mesmo após a Olimpíada, fica ali um público maior do que tínhamos antes."

O SporTV bate na mesma tecla. "Tivemos uma cobertura intensa e muita repercussão nas redes sociais", diz Costa Neto. O SporTV contou com breve apoio logístico da BBC para locar o espaço que lhe serviu de sede. "Fizemos uma extensão do IBC fora do IBC, outra área de operações, senão ficaria inviável." Para ele, a Globo fez muita falta na informação ao público sobre o evento. "As pessoas não sabiam que tinha Olimpíada", diz.

Palomino lembra que a equipe teve 39 credenciais em Pequim e agora se virou com apenas 18. Na avaliação dele, a ESPN fez uma cobertura sobretudo jornalística. "Nosso maior orgulho é o nosso pessoal. A Olimpíada, para nós, começa quatro anos antes. Acompanhamos a vida dos atletas nos anos anteriores e os resultados só confirmavam o que a gente já conhecia", diz.

2016 e 2020. Para o diretor-geral da TV Globo, Octávio Florisbal, a Globo acredita ter feito o melhor que podia, dentro das restrições que lhe cabiam: usar apenas seis minutos de imagem de provas por dia, distribuídos em blocos de no máximo dois minutos cada. Fez a sua parte cívica, mas tratou de não difundir o evento antes de seu início, e de fato faltou à Record anunciar mais o seu cardápio nas preliminares de Londres.

A Globo estará em campo em 2016, no Rio, assim como Record e Bandeirantes. Já para 2020, Florisbal informa que as negociações não começaram e qualquer indicação de custo só poderá surgir a partir da definição do país sede, ainda não determinado. "Nem começamos a negociar ainda", disse ao Estado.

Com poucas credenciais, canais pagos se

reinventaram; Globo lidou com a falta de imagens

e Record, com a crítica

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