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ONG americana vai questionar Rio sobre logomarca

Fundação quer receber esclarecimentos sobre o trabalho por causa da suspeita de plágio. Mas ação deve ser amigável

Bruno Lousada, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

O presidente da ONG americana Telluride Foundation, Paul Major, vai cobrar esclarecimentos do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016 sobre a suspeita de que a marca olímpica, lançada no último réveillon, na Praia de Copacabana, seja plágio do símbolo da instituição que comanda no Estado do Colorado, nos Estados Unidos.

"Embora seja um grande elogio que o Rio 2016 use um logotipo semelhante à nossa marca, é preocupante, já que tivemos um incidente semelhante há cerca de 6 anos"", disse Major ao Estado, referindo-se ao episódio da logomarca do carnaval de Salvador, em 2004.

Na ocasião, ele mandou um e-mail aos organizadores do evento, em que ameaçava recorrer à Justiça caso o símbolo do carnaval baiano não fosse mudado. "Eu tenho todos os direitos reservados do logo, publicado pela primeira vez em dezembro de 2000. O trabalho de vocês, intitulado "Carnaval de 2004 Salvador do Brasil", é essencialmente idêntico ao do nosso logotipo e claramente o usou como base"", relatou Paul Major no documento obtido pelo Estado. "No aconselhamento do meu advogado, exijo que vocês cessem imediatamente a utilização e distribuição de todos os trabalhos derivados desse logotipo." A ONG resolveu depois amenizar o caso.

Agora, a princípio, o presidente da ONG não pensa em processar o Comitê Organizador dos Jogos do Rio. "Nós não estamos interessados em uma briga com o comitê. Amamos a Olimpíada e gostaríamos de ser solidários. No entanto, estamos a rever essa questão com o nosso advogado de marcas"", destacou, sem dar mais detalhes. "Direito nacional e internacional é muito complicado nessa área. Espero fazer contato, em breve, com a Rio 2016 para discutir.""

Em entrevista recente, o sócio e diretor de criação da Agência Tátil Design, Fred Gelli, criador da logomarca Rio 2016, negou que a marca olímpica seja plágio do símbolo da ONG.

"Não conhecíamos essa marca da fundação (americana). Não houve nenhuma referência, em nenhum momento, a ela ou a qualquer outra ao longo de nosso processo criativo"", garantiu. "A inspiração foi orientada pelo briefing da Rio 2016, que, entre outras coisas, recomendou que a marca fosse carioca, brasileira, traduzisse os valores dos Jogos e do movimento olímpico internacional"", comentou.

O Comitê Organizador Rio 2016 já informara, em nota oficial, que "realizou uma extensa busca mundial de marcas que tivessem elementos presentes na marca dos Jogos Rio 2016. E tanto o comitê (local) quanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) avaliaram que as marcas encontradas na busca não apresentavam conflito com a marca dos Jogos Olímpicos do Rio"".

SÍMBOLOS POLÊMICOS

Telluride Foundation

A organização não governamental com sede no Colorado, Estados Unidos, criou sua logomarca em 2000, como símbolo dos trabalhos filantrópicos que desenvolve, principalmente entre a comunidade local. A Telluride tem projetos educacionais, esportivos e artísticos.

Carnaval de Salvador

A prefeitura da capital baiana estabeleceu concurso para escolher a logomarca do carnaval de 2004. O trabalho vencedor foi o do artista Marco Antonio Fróes Marcelino. A Telluride, porém, alegou que o logo era plágio do seu. Outra polêmica já envolveu o símbolo: a semelhança com o quadro "A Dança"" do pintor francês Henri Matisse.

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