Orçamento elevado, resultados modestos

País finalizou em 22º no ranking das medalhas, apesar do investimento alto. Meta é estar entre os 10 primeiros em 2016

ADRIANA CARRANCA, JAMIL CHADE , ENVIADOS ESPECIAIS/ LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h04

O governo cobra mais resultado do COB. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, chegou a falar em pelo menos 20 medalhas do Brasil, projeção rechaçada pelo comitê, que preferiu discursar sobre números mais modestos. "Viemos aqui com uma expectativa realista e baseada na avaliação criteriosa do que poderia ser feito e ela foi atingida. Falamos em 15 medalhas e até agora estamos com 16", disse ontem o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, antes do bronze no heptatlo que deu a 17.ª medalha ao Brasil.

O COB tentou justificar a fraca atuação do Brasil usando outros países como exemplo. "Dos 12 primeiros no ranking, sete conquistaram menos medalhas", disse o superintendente de Esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, no que chamou de "tendência de queda". Outra justificativa para a classificação do Brasil na 22.ª posição no ranking foi a "pulverização" das medalhas. "Houve mais países ganhando medalhas. Os que não brigam pela liderança focaram seus investimentos nos últimos anos na conquista de medalhas em duas ou três modalidades", completou Nuzman.

Para aumentar as chances de conquistar mais medalhas em 2016, o comitê divulgou que pretende priorizar os investimentos nos esportes individuais, uma demanda do governo brasileiro. "O Brasil vai ter de fazer esforço para ampliar seu espaço em esportes individuais", disse a presidente Dilma Rousseff, em Londres, pouco antes do início dos Jogos. A meta do Brasil é estar entre os dez primeiros do ranking no Rio, em 2016.

Ginástica. O COB admitiu que para 2016 serão precisos mais esforços no atletismo, no hipismo e no tae kwon do, que ficaram sem medalhas; na natação e vela, apostas do Brasil que acabaram com menos medalhas do que o esperado; basquete e futebol feminino, que não chegaram nem nas semifinais, e o handebol masculino, que não foi a Londres.

Na ginástica artística feminina, Nuzman disse que "brigas internas" a fizeram deixar Londres sem medalhas. A equipe feminina não classificou nenhuma ginasta para as finais, num reflexo dos problemas enfrentados na preparação para os Jogos - incluindo o corte às vésperas da competição de Jade Barbosa, a melhor ginasta do País. "Isso deveu-se a uma briga política, dentro da confederação. Nós, o COB, não temos como evitar. Não podemos nos meter na briga política de uma entidade." Segundo ele, a ginástica é um foco do Brasil para 2016.

O Comitê Olímpico Brasileiro gastou R$ 11,6 milhões em Londres. O Crystal Palace, centro de rendimento esportivo alugado pelo COB, consumiu sozinho R$ 3,3 milhões. Foi a primeira vez em uma Olimpíada que o time brasileiro pôde ficar instalado em um local exclusivo, com recursos à disposição como telemedicina e apoio de uma equipe de profissionais que fez análises das imagens de todas as competições dos Jogos, fornecidas aos atletas e técnicos. "Oferecemos serviços semelhantes às grandes potências", disse Nuzman.

Questionado sobre por que esse investimento não se traduziu em melhor resultado, Nuzman repetiu: "Medalhas não têm preço". O dirigente, no entanto, comparou valores de investimentos de outras nações para justificar a performance do Brasil. "Ainda falta muito para nos equipararmos às grandes potências. A Grã-Bretanha investe US$ 2 bilhões por ciclo há 16 anos, trabalha no movimento olímpico de treinar atletas há 40, 50 anos e está em sua terceira olimpíada. Quando tivermos isso podemos conversar", disse, irritado.

Os gastos com a missão, o que inclui a viagem dos atletas, somaram R$ 7,7 milhões; o trabalho de aclimatação dos competidores, R$ 534 mil. Outros R$ 89 mil foram usados com atletas não classificados, mas que são apostas para 2016 e foram levados a Londres para ter uma "vivência olímpica".

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