Fábio Motta/EStadão
Fábio Motta/EStadão

Organização garante segurança no revezamento da tocha

Comitê Rio 2016 e patrocinadores garantem que possíveis protestos não atrapalharão a passagem do artefato por mais de 250 cidades

MARCIO DOLZAN, Estadão Conteúdo

29 de janeiro de 2015 | 16h25

Uma pergunta relativa à possibilidade de ocorreram protestos nas cidades brasileiras durante o período do revezamento da tocha olímpica dos Jogos de 2016 e a menção a eventuais atrasos em obras renderam um breve momento de mal-estar na cerimônia festiva realizada no fim da manhã desta quinta-feira, no Rio - o objetivo do evento foi justamente dar detalhes sobre a passagem do artefato por 250 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais, durante cerca de 100 dias. O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, e representantes de empresas patrocinadoras do evento garantiram que não haverá problemas com a segurança e pediram o fim do "pessimismo''.

A segurança pública e os protestos que vêm ocorrendo pelo Brasil sempre foram temas recorrentes em entrevistas coletivas sobre os Jogos, principalmente entre jornalistas estrangeiros. Nesta quinta, Nuzman assegurou que a passagem da tocha pelas cidades brasileiras já é motivo de estudo e planejamento dos órgãos de segurança do País.

"O governo federal já está envolvido e estará estabelecendo toda a segurança em conjunto com os governadores e prefeitos onde a tocha passará. Esse é um trabalho que é totalmente unido, e que certamente dará tranquilidade a todos", disse Nuzman.

Logo em seguida, um correspondente estrangeiro retomou o assunto e, além de abordar os protestos, citou supostos atrasos em obras e a polêmica envolvendo a despoluição da Baía de Guanabara. François Dossa, presidente da Nissan do Brasil, que com Coca-Cola e Bradesco patrocina o revezamento, tomou a iniciativa de responder. "Pode haver protesto, sim. O Brasil é uma democracia e pode haver protesto, isso não vai impedir de ter a tocha. Por nós pode haver protesto, não há problema com isso''', declarou. "Mas eu esperava (que) essa pergunta (fosse) de um brasileiro.''

O executivo foi além. "Eu sou francês, então posso falar um pouquinho disso. Muitas vezes o brasileiro é muito pessimista em relação ao país dele: 'Ah, não vai dar certo, a gente não vai conseguir fazer'. Tudo isso se falava da Copa do Mundo, e a Copa do Mundo foi um exemplo de organização'', considerou Dossa.

Ele revelou que mora no Rio para dar um exemplo de como, em sua opinião, as coisas acontecem no País. "O carnaval, cinco minutos antes de a escola de samba entrar na avenida, parece que nunca vai dar certo. E sempre dá certo. O Brasil tem que ter fé de que nós vamos saber organizar os melhores Jogos da história, com protesto ou sem protesto.''

Outro que pediu a palavra foi Flavio Camelier, vice-presidente da Coca-Cola do Brasil para os Jogos Olímpicos. "Olhamos como grande oportunidade e não como potencial risco de protesto. O engajamento do público brasileiro já é muito alto. Estamos mais preocupados em fazer funcionar perfeitamente do que com protesto.''

Carlos Arthur Nuzman disse que "essa pergunta foi feita nos Jogos Pan-americanos (de 2007), e depois (os que questionaram) foram obrigados a dizer que foram os maiores Jogos da história''. O dirigente declarou ainda que tem "a certeza de que vamos ter o aplauso de todos vocês", referindo-se aos jornalistas.

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