Simon Hofmann/Laureus
Simon Hofmann/Laureus

Organização que leva futebol para meninas na Índia ganha prêmio no Laureus

Yuwa, uma instituição que usa o esporte para ajudar garotas em zona rural do país, ganha troféu das mãos de Arsène Wenger

Daniel Batista, enviado especial a Mônaco, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 17h38

O programa indiano Yuma, uma organização que usa o futebol para empoderar jovens na zona rural de Jharkhand foi anunciado como o vencedor do Laureus Good Award 2019. O programa tem como base superar a violência e o casamento infantil, algo comum na região.

O prêmio foi entregue pelo técnico Arsène Wenger, que fez o anúncio do vencedor ao lado do presidente da Academia Laureus, Sean Fitzpatrick, da nadadora Missy Franklin, dos fundadores Yuma Franz e Rose Gaster e de quatro garotas que participam do programa: Neeta Kumari, Hema Kumari, Konika Kumari e Radha Kumari.

O Laureus Sport for Good é dado a organização ou pessoa que, na opinião dos membros da academia Laureus, usa o poder do esporte para melhorar a vida de jovens. Yuma significa “juventude” em hindi, língua local. A instituição fica localizada no norte da Índia, local em que está uma das mais altas taxas de vulnerabilidade feminina. Metade das garotas em idade escolar não estão na escola e 60% das meninas se tornam noivas ainda crianças. A taxa de alfabetização feminina é de apenas 45%.

O programa conta com 450 garotas e o futebol surgiu na vida delas para superar a violência, a pobreza e para que elas acreditem em um mundo melhor para o futuro. Além do futebol, as meninas também aprendem a falar inglês, contam com tratamento para melhorar a autoconfiança e a autoestima. O lendário técnico Arsène Wenger comentou sobre a ação feita pela instituição indiana. “As pessoas falam sobre o belo jogo, e o programa Yuwa, apoiado pelo Laureus, é um exemplo maravilhoso do belo impacto que o nosso esporte pode ter. O trabalho que a Yuwa está fazendo nas comunidades rurais da Índia vai muito além do campo de futebol. Eles estão mudando percepções, melhorando vidas e dando às meninas a chance de criar futuros mais brilhantes ”, comentou.

Neeta Kumari, uma das jovens que foi receber o prêmio, contou um pouco de como é sua vida no local e a importância do reconhecimento. “Na minha comunidade, é uma regra que garotas devem se casar aos 14 ou 15 anos, ter filhos e passar o resto da vida na cozinha. Eu quero jogar futebol, ficar na escola e ser um exemplo para as outras garotas poderem contar para a família: 'Uau, veja aquela garota! Ela fez isso, por que eu não posso? "Através da Yuwa, eu tenho o poder de escolher o meu próprio futuro", disse a jovem, que tem cinco irmãs e um irmão e viu três delas se casarem ainda crianças.

 

 

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