José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Organizadas do Corinthians se mobilizam para cercar o Pacaembu

Se a punição não for revertida, facções de torcedores prometem tomar conta da região do estádio quarta-feira

GONÇALO JÚNIOR e RAPHAEL RAMOS, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h03

SÃO PAULO - As organizadas do Corinthians estão se mobilizando para, caso a diretoria não consiga reverter a decisão que impede a presença de torcedores nos jogos da Libertadores, se concentrarem nos arredores do Pacaembu na quarta-feira, no horário da partida contra o Millonarios.

A Gaviões da Fiel, principal organizada do clube, alega que está aguardando o término das apurações sobre a morte do garoto Kevin Douglas Beltrán para só depois se posicionar, mas ontem, em seu Twitter, convocou os seus associados. "As arquibancadas poderão estar vazias, mas a nossa voz eles ouvirão! Estaremos com o Corinthians em qualquer lugar." Entre os torcedores presos na Bolívia está Tadeu Macedo Andrade, diretor financeiro da Gaviões.

Na internet torcedores se mobilizam para se agruparem na Praça Charles Miller. "Vamos invadir. Dentro do Pacaembu só cabem 40 mil. Lá fora cabe muito mais," diz um comunicado distribuído nas redes sociais.

A Polícia Militar já está em alerta e se prepara para reforçar a segurança no local. As vendas dos ingressos para a partida de quarta-feira foram suspensas.

O zagueiro Paulo André, um dos líderes do elenco, aprovou o apoio dos torcedores mesmo fora do estádio, mas pediu que a manifestação seja feita de forma ordeira. "Todo tipo de apoio é válido, mas tem de ter cuidado."

Segundo o jogador, o grupo está bastante abalado com a morte de Kevin Douglas Beltrán e coube ao gerente de futebol Edu Gaspar conversar com os atletas antes do treino de ontem. O recado foi que eles deveriam se concentrar nos jogos enquanto a diretoria recorria da punição recebida pela Conmebol.

"A gente está tentando se motivar, mas acaba falando mais sobre o ocorrido do que sobre o que está para acontecer. De qualquer forma, começou a preparação para o jogo contra o Bragantino (amanhã, em Bragança Paulista, pelo Campeonato Paulista). Precisamos vencer e trazer um pouco de tranquilidade para o ambiente", disse.

Paulo André comentou que a morte do garoto não premeditada. "O que aconteceu foi uma grande fatalidade", disse. Por isso, ele acredita que a punição ao Corinthians é injusta. "Não sei até que ponto o clube poderia ou deveria ser prejudicado."

O zagueiro, no entanto, cobrou que o responsável pela morte do garoto seja identificado e punido, e o caso sirva para mudar o futebol. "Se a gente não mudar a atitude e a fiscalização, daqui a seis meses isso pode voltar a acontecer", disse.

Mundial. Paulo André endossou as palavras de Tite que, após o empate por 1 a 1 com o San Jose, disse que trocaria o título mundial pela vida do jovem. "O Tite quis mostrar o valor da vida, da importância para todos nós. Não há nada que pague uma vida." Segundo o zagueiro, se o time ganhar a Libertadores dedicará o título a Kevin.

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