Os 7 erros de uma queda Da esperança ao desespero em 12 meses

O Palmeiras começou o ano sonhando com uma temporada de glórias e o terminou amargando a queda para a Série B

DANIEL BATISTA, PAULO GALDIERI, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h03

A queda do Palmeiras para a Série B do Brasileiro encerra de forma trágica uma temporada marcada por (poucas) alegrias e (muitas) tristezas, além de frustrações com antigos heróis e confusões dentro e fora dos campos.

O ano de 2012 começou com um clima de esperança no ar, já que a diretoria prometeu dar ao técnico Luiz Felipe Scolari vários jogadores de alto nível. Só que o tempo foi passando e só um atleta de destaque foi contratado, o atacante Barcos. Mas até na chegada do argentino houve controversa. Ele começou a treinar antes de assinar contrato e, por isso, a LDU, seu clube, exigiu um valor maior do que o combinado para liberá-lo. Foi a primeira das muitas trapalhadas dos dirigentes alviverdes em 2012.

O time fazia campanha satisfatória no Paulista até enfrentar o Guarani, pelas quartas de final. A derrota por 3 a 2, em Campinas, detonou a crise. O goleiro Deola foi apontado como um dos culpados pela eliminação e perdeu o posto de titular. Incomodado, foi para o Vitória pouco depois.

Naquele momento, Felipão chegou a pedir demissão, mas a diretoria o convenceu a ficar, apesar das rusgas entre o técnico e o vice-presidente de futebol, Roberto Frizzo, que prejudicavam ainda mais o ambiente.

Um acordo de paz foi selado em nome da Copa do Brasil, mas a paz nunca dura muito tempo no Palestra Itália. No início de junho, o meia Valdivia sofreu uma tentativa de sequestro que quase provocou sua saída, mas o chileno decidiu ficar para tentar ser campeão da Copa. Dias depois, sem Valdivia, o Palmeiras conseguiu uma de suas vitórias mais importantes na temporada. No Olímpico lotado, venceu o Grêmio por 2 a 0 e convenceu seus torcedores de que poderia conquistar o título.

No dia 11 de julho, a consagração. O empate por 1 a 1 com o Coritiba, em Curitiba, deu ao Palmeiras o título da Copa do Brasil, conquistado de forma invicta. O ano parecia já estar ganho. Mas não estava.

Ao fim das comemorações, alguém se lembrou de olhar a classificação do Campeonato Brasileiro e levou um susto ao perceber que o Palmeiras estava na zona de rebaixamento. Jogadores, diretoria e comissão técnica juravam que a equipe sairia daquela situação naturalmente, sem sustos, mas as derrotas se sucediam, a desordem voltava a reinar e a alegria pela taça levantada virava uma vaga lembrança.

Valdivia se machucou em outubro, o que não surpreendeu ninguém, e viu sua temporada chegar ao fim. Enquanto isso, Barcos roubava do chileno o posto de ídolo da torcida, mas se via cada vez mais só em campo.

No dia 12 de setembro, uma derrota para o Vasco culminou na saída de Felipão - desta vez ninguém da diretoria tentou segurar o gaúcho no clube. O primeiro jogo após a queda do treinador foi contra o Corinthians, que atuou com uma equipe reserva e ainda assim venceu por 2 a 0. O Palmeiras estava afundado na crise, não havia como esconder. Depois do clássico, vândalos invadiram um dos restaurantes de Frizzo e depredaram o local.

A procura por um novo técnico foi intensa. Falcão, Jorginho e Paulo César Carpegiani estavam entre os mais desejados, mas o contratado foi um profissional de currículo modesto, Gilson Kleina. O início até que foi animador, com três vitórias seguidas, mas bastou uma derrota - 3 a 0 no clássico contra o São Paulo - para a equipe desabar de novo. E nem mesmo as vitórias sobre Bahia e Cruzeiro, que pareciam ser o início de um novo momento, foram capazes de fazer o Palmeiras embalar.

Para piorar ainda mais as coisas, a violência dos protestos da torcida só aumentou. As ameaças a jogadores e dirigentes instalaram um clima de terror no clube e abateram um elenco que mesmo em condições normais já teria dificuldades para evitar a queda. E assim, de tropeço em tropeço, de confusão em confusão, o Palmeiras cavou seu caminho até o fundo do poço.

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