Os assustadores

Mesmo que não faça mais nada a partir de agora, a Costa Rica já ganhou o troféu "Quem diria?" desta Copa do Mundo. O país que não tem exército, o que já asseguraria nossa simpatia, caiu numa chave com três campeões mundiais (Inglaterra, já eliminada, mais Uruguai e Itália) e não apenas sobreviveu como prevaleceu. Desta vez, nem Jesus Cristo, que joga com o pseudônimo de "Pirlo", salvou os italianos.

VERISSIMO, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2014 | 02h01

Já a França se juntou à Holanda e à Alemanha como os três times mais assustadores da Copa, e Karim Benzema se juntou a Arjen Robben e Thomas Müller como os três melhores atacantes do torneio.

E gostei de ver outro baixinho, como o Sterling da Inglaterra, brilhando e incomodando: o sensacional francês Valbuena, que tem de talento o que lhe falta em tamanho.

Os baixinhos, afinal, não estão extintos no futebol moderno.

Sexo na grande área.

Já contei que fui à minha primeira Copa - a de 1986, no México - como correspondente da revista Playboy. Não foi fácil. A publicação é mensal, e a edição em que sairia minha matéria fecharia antes do fim da Copa, me obrigando a escrever como se soubesse o resultado, mas às cegas.

Pior do que isso, no entanto, foi ter de explicar a quem via minha credencial o que um correspondente da Playboy estava fazendo numa Copa do Mundo. Não me ocorreu a resposta que me ocorre agora: eu estava lá só para cobrir os escanteios, que é quando o futebol mais se aproxima do sexo.

Na cobrança de escanteios, o que se vê dentro da área é o que se veria numa orgia - camisetas sendo quase arrancadas e calções puxados para baixo, dedos entrando no orifício mais próximo e todos se agarrando.

Nem sempre foi assim.

A cobrança de escanteios costumava ser uma confraternização. Os dois times reunidos dentro da grande área e, enquanto a bola não vinha, conversando, trocando fotos das crianças etc. Essa erotização do escanteio é um fenômeno relativamente recente.

Mas também é por causa do agarra-agarra, que os juízes tentam coibir mas não podem controlar, que deixou de valer aquela velha máxima segundo a qual "corner" era meio-gol.

Em tempos mais inocentes, era. Hoje, é tão raro sair um gol de escanteio quanto alguém sair da grande área, depois de um escanteio batido, sem estar moralmente comprometido.

Tudo o que sabemos sobre:
VERISSIMO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.