Os astros voltam a decidir

O n.º 1 Nadal tenta impedir recorde de seu maior rival, Federer, o n.º 2

, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Não teve para ninguém. Apesar de nomes emergentes do circuito, como o escocês Andy Murray, terem aparecido como favoritos ao título do primeiro Grand Slam da temporada, o troféu do Aberto da Austrália ficará guardado na galeria de um dos dois melhores tenistas do mundo nos últimos anos. Roger Federer, atual número 2 do ranking, que havia vencido o norte-americano Andy Roddick com sobras anteontem, esperava seu adversário. E o oponente do suíço será o maior tenista do ano passado, Rafael Nadal.Engana-se, porém, quem pensa que o espanhol teve vida fácil na semifinal contra seu compatriota Fernando Verdasco, 14º do ranking. Os dois protagonizaram uma dura batalha de 5 horas e 14 minutos, o jogo com maior duração em toda a centenária história do torneio australiano. Nadal bateu Verdasco por 3 sets a 2 (6/7, 6/4, 7/6, 6/7 e 6/4) numa partida em que os oponentes jamais desistiram por nem um momento sequer. O ex-namorada da bela Ana Ivanovic fraquejou apenas no ponto decisivo, no qual entregou a vitória a Nadal ao cometer dupla falta. Definida a partida, Nadal pulou a rede para abraçar o amigo depois de uma exibição de gala, em um duelo dramático e inesquecível. "No momento, estou me sentindo mais feliz do que cansado", disse Nadal ao final do jogo. "Foi simplesmente sensacional para mim. Jogar esse jogo, com essa atmosfera incrível... Foi um dos melhores jogos da minha carreira. O Verdasco também mereceu chegar à final porque jogou muito bem."Verdasco perdeu todas as seis partidas anteriores entre os dois canhotos. Na semifinal de ontem, conseguiu encaixar 95 pontos vencedores e se tornou o primeiro jogador do torneio a levar uma diferença de um set sobre Nadal. Mas nada disso foi suficiente para parar o "invencível" espanhol."Nadal consegue chegar em bolas incríveis", elogiou o adversário derrotado. "Você precisa vencer o ponto contra ele três ou quatro vezes mais do que contra qualquer outro jogador. Sempre digo que o Nadal, nestes tipos de jogos, com cinco sets, é o adversário mais duro."Apesar do desapontamento pela derrota, Verdasco estava satisfeito. "É triste jogar uma partida como essa e perder depois de cinco horas", admitiu. "Mas tenho de ficar orgulhoso pelo torneio que fiz e pelo excelente nível que atingi."FOLGAEnquanto Nadal se esforçava além do habitual para chegar à final, Roger Federer tirou o dia de folga. O suíço garantiu-se na decisão um dia antes num jogo fácil diante de Roddick. E sai com vantagem na disputa mais esperada da competição. Se conquistar o troféu, Federer alcançará o recorde de 14 títulos de Grand Slam, igualando a marca do americano Pete Sampras, já aposentado.Nadal, no entanto, não criticou a organização do torneio por carregar maior desgaste do que o suíço até a final. Para o espanhol, faltou sorte. "No ano passado, eu poderia chegar à decisão e ter um dia a mais para descansar. Neste ano, foi ele", disse o número 1 do mundo.Os dois melhores tenistas do planeta se enfrentarão amanhã pela 19ª vez, a sétima final de um torneio de Grand Slam. Nas seis anteriores, Nadal leva vantagem: venceu quatro e perdeu duas, tendo conquistado três títulos em Roland Garros e um em Wimbledon, no ano passado, a última vez em que os dois se enfrentaram numa competição deste porte.MULHERESHoje, às 6h30 (horário de Brasília), Serena Williams e Dinara Safina definem quem será a nova número 1 do ranking feminino na final do Aberto da Austrália. A norte-americana já venceu o torneio em três oportunidades e busca reconquistar a liderança do ranking. A russa, que nunca venceu um torneio de Grand Slam, chega pela segunda vez a uma final. Em 2008, Safina deixou escapar o troféu de Roland Garros.

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