Os Bafanas não abafaram

A seleção da África do Sul sai de cena por ser fraca. Fiasco mesmo foi a França

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2010 | 00h00

Na hora em que a África do Sul decidia seu destino na Copa da qual era anfitriã, dezenas de jornalistas brasileiros acompanhávamos outra emocionante roda de bobinho da seleção no gramado do Sthithians Collegee. Perto do campo de treinamento, centenas de torcedores locais estavam de olhos grudados num telão para ver o que fariam os rapazes de Parreira. As vuvuzelas zurravam e, em duas ocasiões, o som aumentou. Eram os gols contra a França, que mantinham a esperança de classificação do time da casa.

De repente, as vuvuzelas pararam de soar. Havia algo estranho no ar. Um repórter seguia o jogo on line no computador e esclarecia: gol francês, 2 a 1... a chance de continuar no torneio diminuía. Eram necessários outros dois gols, além de o México perder para o Uruguai por diferença maior do que o magérrimo 1 a 0. Mais um tempinho passou e a decepção nativa era palpável. As vuvuzelas, coisa rara!, pararam de rugir. A África do Sul estava desclassificada. Saía de cabeça erguida, mas ia para a vala comum junto com o ilustre adversário.

Houve consternação sincera dos que viam a segunda parte do exercício dos guerreiros de Dunga ? bate bola em metade do campo. Por mais que se duvidasse do sucesso dos Bafana Bafana, existia o desejo de que seguissem nas oitavas, para não esfriar a competição. Frustração estrangeira. Imagine a decepção doméstica. Até os sorridentes funcionários do Sthithians ficaram menos receptivos, mais distantes, como se dissessem: "Que nos importa esse campeonato que é só para os outros?"

Os sul-africanos tinham consciência da fragilidade da equipe, que só estava no Mundial na condição de dona da festa. A apreensão vinha de longe e aumentou quando o sorteio das chaves indicou rivais como Uruguai, México e França. Mas torcedor não encara o futebol com razão ? no que faz muito bem. Caso contrário, é torcedor de meia tigela. No fundo, resta o sonho de que o time superaria a etapa inicial, como manda a tradição.

Não deu. A seleção sul-africana é ruim, não teria vida longa. Tomara que o Mundial deixe como legado o estímulo do futebol na África. Desconfio, porém, que os estádios virarão elefantes brancos ou serão usados para rúgbi, porque a bola por aqui ainda vai apanhar bastante.

Feio fez a França, que cai de cara, como em 2002. Aqui entre nós: bem feito, pois não engoli o gol de mão que tirou a vaga da Irlanda na repescagem. Como se dizia na várzea do Bom Retiro, após uma jogada desleal: "Deus castiga".

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