Os clássicos do Morumbi

Os clássicos são tão necessários para manter o Paulistinha vivo, artificialmente, que ontem aconteceram logo dois no Morumbi. E em ambos o tabu a favor do Corinthians foi mantido, que não perde na casa do rival desde 2007, o ano do rebaixamento.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

09 Março 2015 | 02h02

No primeiro embate, que durou até os 11 minutos do segundo tempo, momento em que Rogério Ceni bateu pênalti para a defesa de Cássio, a equipe de Tite jogou para manter a vantagem construída por Danilo aos 11 da primeira etapa.

Como bem observou o treinador corintiano, faltou um pouquinho mais de infiltração, de ambição. Mas havia naqueles jogadores tanta segurança no que estava sendo feito, tanta certeza de que daria certo, que isso também ajuda a explicar as diferenças entre São Paulo e Corinthians.

No lado tricolor, essa convicção não existe. Muricy Ramalho ainda procura a formação ideal, os nomes e as funções, algo que Tite tem conseguido controlar muito bem, mesmo com os desfalques. Para quem procura respostas, parte delas pode vir da forma como se treina.

Com Michel Bastos e Centurión abertos, Ganso ganhou a liberdade para se deslocar e tirar Ralf da marcação segura e centralizada. Esse pode ser um caminho, mas precisa ser tentado e testado até que um ambiente mais competitivo seja criado na equipe.

Quer um exemplo? O gol de Danilo, com lindo e preciso passe de Guerrero, depois da cobrança de lateral de Fagner. Teve tudo isso e mais um pouco.

Vamos ao segundo jogo disputado no clássico, que começou com a defesa de Cássio e a expulsão de Gil.

O árbitro viu falta em lance que o zagueiro se protegeu da bola com o braço colado ao corpo. Depende da interpretação de cada um, na minha não foi pênalti.

Com um jogador a menos, o Corinthians sumiu da área de Rogério Ceni, colocando em prática seu modelo de proteção, fruto do esforço coletivo. Terminou o clássico com dois blocos defensivos. Na frente de Ralf, da direita para a esquerda, Jadson, Cristian, Elias e Guerrero.

Petros revelou recentemente que o sonho de Tite é jogar, como mandante e visitante, sem alterar o padrão de jogo do time e suas premissas.

Ainda falta muito para chegar lá, mas com apenas 40 dias de temporada não custa lembrar que a vitória no clássico foi a terceira sobre um adversário importante com essas características, fora de casa.

Maduro, experiente e com alta média de idade, o time do Corinthians continua firme.

Mata-mata. A única possibilidade de os incompetentes terem alguma chance de disputar títulos é trazer para o seu terreno de jogo aqueles que vêm trabalhando bem para uma disputa lotérica, ao nível de sua incapacidade.

Muita gente boa acredita nessa lorota da emoção e do sucesso financeiro das finais. Esquecem, porém, que o sistema de pontos corridos, no mais importante campeonato do País, é uma medida estruturante para o futebol.

O pior é que até quando se fala em audiência de televisão e crescimento das médias de público e de arrecadação, o tal mata-mata não convence. O debate é revelador, escancara a dimensão do atraso administrativo do esporte por aqui. É a forma que os amadores encontraram para impor aos profissionais a prisão perpétua.

Todas as fórmulas de disputa possuem prós e contras. Pensando com a cabeça da turma do mata-mata, se o oitavo da fase de classificação pode ser campeão, como o Santos foi em 2002, nada mais justo do que o nono colocado se virar para evitar o rebaixamento.

Falar no mata-mata é fácil, difícil é incorporá-lo ao calendário em ano de Jogos Olímpicos e de Eliminatórias para a Copa do Mundo. Vai ser divertido acompanhar esse debate. Mas se a gente não abrir bem os olhos, o fim pode ser trágico.

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