Satiro Sodré/Divulgação - 16/12/2010
Satiro Sodré/Divulgação - 16/12/2010

Os desafios até Londres

Atletas e treinadores se concentram na busca de vagas para os Jogos de 2012; Pan de Guadalajara fica em segundo plano

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

SÃO PAULO - "O Mundial é a grande competição antes da Olimpíada. É lá que vou ter noção de quem está bem." O campeão olímpico Cesar Cielo já avisa qual será a sua prioridade na temporada que se aproxima: o Mundial de natação, em Xangai, na China, em julho. Assim como o nadador, atletas de várias modalidades sabem que 2011, ano prévio aos Jogos Olímpicos, é decisivo para suas pretensões em Londres, em 2012.

Depois de um 2010 morno, propício para mudanças de rumo e ajustes de preparação, o calendário do próximo ano é repleto de competições desafiadoras e decisivas - boa parte delas garante a classificação para a Olimpíada londrina, que será disputada entre 27 de julho e 12 de agosto de 2012.

"O grande desafio (em 2011) é ir bem no Sul-Americano, que classifica para a Copa do Mundo, que dá vaga para a Olimpíada", diz o técnico Bernardinho, que este ano foi tricampeão mundial com a seleção masculina de vôlei. "A gente sabe que as cobranças vão ser maiores e a expectativa em cima da seleção é enorme." Da mesma maneira que Bernardinho, José Roberto Guimarães (no feminino) aposta tudo nesses dois torneios. Ambos querem garantir logo a vaga olímpica. O Pan-Americano de Guadalajara, em outubro, ficará em segundo plano.

É uma situação totalmente contrária à de 2007. Há quatro anos, a competição do Rio foi supervalorizada pelo "fator casa" - era necessário que o anfitrião fizesse um bom papel. Desta vez, o Pan terá importância minimizada, exceto para aqueles esportes em que é possível conquistar a classificação olímpica. Esse é o caso de handebol, nado sincronizado, polo aquático, saltos ornamentais e canoagem, entre outros. Para outras modalidades, como natação e atletismo, é só mais uma entre várias chances de atingir os índices exigidos para Londres/2012. Em outros, como judô e esgrima, vale pontuação para o ranking mundial.

Além de a disputa ter perdido importância nos últimos anos - os EUA usam a competição como teste e nunca levam seus principais atletas -, o Pan de Guadalajara aponta uma dificuldade adicional: com o início marcado para outubro, está mal posicionado no calendário internacional.

Um problema para a ginástica artística, por exemplo. O Mundial do Japão, que servirá como Pré-Olímpico e definirá o número de vagas para cada delegação em Londres, será realizado entre 8 e 16 de outubro - estará, portanto, em andamento quando o Pan começar, no dia 13. O Brasil tem esperanças de contar com força total no Mundial, já que Diego Hypolito deve estar apto a competir, após operação no tornozelo esquerdo, assim como Daiane dos Santos, que cumpriu suspensão por doping.

O atletismo deve dividir seus competidores em dois grupos: aqueles que irão para o Mundial da Coreia do Sul, em Daegu, no fim de agosto, e os que treinarão exclusivamente para Guadalajara. Principal nome do Brasil em 2010, a saltadora Fabiana Murer colocou o Pan em segundo plano. "Meu objetivo, em 2011, é o Mundial. O Pan é uma competição importante, mas não minha prioridade." Já Maurren Maggi, campeã olímpica do salto em distância em Pequim/2008, avisou que quer conquistar o tricampeonato da sua prova no México.

O basquete feminino também não pretende diminuir a importância do Pan, embora o time tenha uma competição muito mais decisiva em julho: o Pré-Olímpico da Colômbia.

"[O Pan] é uma competição importante para nós. Há cobrança do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) por resultados. Preciso preparar a seleção", explica Hortência Marcari, diretora do departamento feminino da CBB. A última vez em que o Brasil venceu um Pan foi em 1991, com a própria Hortência em quadra. Ao lado de Paula, ela comandou o País na histórica final contra Cuba, quando a medalha de ouro foi entregue por Fidel Castro.

Os homens, em situação tranquila no nível Pan (são tricampeões), direcionam suas forças na busca por um lugar em Londres. O time do técnico Rubén Magnano terá de buscar a vaga em Mar del Plata, na Argentina, em agosto. A pressão é enorme: o basquete masculino não vai a uma Olimpíada desde Atlanta/1996. (colaboraram Bruno Lousada e Valéria Zukeran)

CALENDÁRIO

Pré-Olímpico Feminino de Basquete

Em Neiva (Colômbia)

15 a 30 de julho

Mundial de Natação

Em Xangai (China)

25 a 31 de julho

Pré-Olímpico Masculino de Basquete

Em Mar del Plata (Argentina)

23 de agosto a 14 de setembro

Mundial de Judô

Em Paris (França)

23 a 28 de agosto

Mundial de Atletismo

Em Daegu (Coreia do Sul)

27 de agosto a 4 de setembro

Mundial de Ginástica Artística

Em Tóquio (Japão)

8 a 16 de outubro

Jogos Pan-Americanos

Em Guadalajara (México)

13 a 30 de outubro

Copa do Mundo Feminina de Vôlei

No Japão (várias sedes)

4 a 18 de novembro

Copa do Mundo Masculina de Vôlei

No Japão (várias sedes)

20 de novembro a 4 de dezembro

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