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Os desafios de Autuori

Paulo Autuori tem vozeirão de galã de clássicas novelas de rádio, além de ser bom papo. Qualidades inegáveis e cativantes. Também carrega currículo bacana, embora não muito extenso, em 30 e tantos anos de carreira - os pontos altos são duas Libertadores (Cruzeiro/1997 e São Paulo/2005) e o Mundial de Clubes (São Paulo/2005).

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2013 | 02h02

Agora precisará tirar do papel conceitos atraentes e colocá-los em prática no retorno ao Morumbi, na forma de bom futebol. E com rapidez. A diretoria tricolor o pescou do Vasco com a missão de resgatar um grupo que anda à deriva, com moral em baixa e sem despertar confiança.

O São Paulo dos últimos anos virou um caldeirão - nos bastidores (pelas constantes intervenções e pela crescente impaciência do presidente Juvenal Juvêncio com os professores que contrata) e dentro de campo (pelos resultados decepcionantes a quem se acostumou a ganhar títulos aos borbotões).

Cartolas e torcida mostram ansiedade pelo resgate da posição de protagonista do clube. O elenco tem qualidade, embora não do nível extraordinário que os dirigentes apregoam. Está na média dos times que compõem o bloco principal da Série A. Só que não rende, não desemperra, não deslancha.

Destravar o grupo é um dos desafios urgentes de Autuori, a partir do duelo de hoje com o Vitória. E não só. Os resultados convincentes devem vir logo também para afastar cobranças do público, que não escondia preferência por Muricy. Autuori tem de ficar alerta, pois o São Paulo aprendeu a devorar técnicos.

Fim de caso. Há negociações que têm tudo para não dar certo. E não dão mesmo. Um lado e outro vão para a transação sem muita vontade de oferecer ou ceder, e o resultado é uma tremenda perda de tempo. Isso no futebol é corriqueiro. Exemplo de flerte frustrado foi a tentativa de nova parceria entre Santos e Robinho. O clube guardou boas lembranças do período de empréstimo em 2011 e ensaiou trazer de volta o rapaz pela segunda vez, desde que o cedeu para o Real Madrid em 2005. Tateou, pero no mucho. O atacante também se mostrou disposto a retornar para a Vila Belmiro, sem muita ilusão.

O caso terminaria aí, mas teve desdobramentos com reação irada de Robinho, que acusou o Santos de jogá-lo contra a torcida, supostamente por alegar que as pretensões financeiras eram descabidas. O atacante criticou o presidente Luiz Álvaro e disse que não negocia mais com a atual diretoria. Direito dele escolher onde jogar, até mesmo o de ficar no Milan, onde amargou reserva constante na última temporada.

Mas, pelos termos do comunicado oficial, Robinho deu a impressão de que se vê como astro imprescindível para o ex-clube e pareceu contrariado pela aparente rejeição. Vida que segue, como mostrou a rapaziada que ontem à noitinha bateu na Lusa por 4 a 1.

Silêncio! Na crônica de anteontem, abordei propostas da nova administração do Maracanã para nortear a conduta dos frequentadores do estádio e veiculadas em diversos sites. Dentre outras medidas, se falou em controle de entrada de instrumentos musicais, da diminuição dos mastros das bandeiras e de eventual recomendação para que torcedores não fiquem sem camisa. Vi nas sugestões brechas para refrear a espontaneidade nas arquibancadas.

Recebi mensagem eletrônica da assessoria do consórcio com o seguinte teor: "O Complexo Maracanã Entretenimento S.A. esclarece que em nenhum momento falou em baixar normas para a proibição de bambus, surdos, bumbos, assistir jogos em pé e sem camisa. O que a concessionária propõe é que os clubes dialoguem com seus respectivos torcedores para que, por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), prevaleça no Maracanã o tripé conforto, segurança e acessibilidade em benefício de todos. O Complexo Maracanã trabalha para que as famílias voltem a frequentar o estádio, com todas as condições de segurança."

Paz e segurança todos queremos. E alegria, intensa e infindável alegria.

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