Os erros e os problemas

Boleiros

Daniel Piza, daniel.piza@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

Muito mais interessante do que adivinhar resultados de partidas é ler a história de uma grande partida. Infelizmente, o clássico entre São Paulo e Palmeiras foi jogado em bom nível, mas manchado pelo gol irregular de Adriano logo aos 11 minutos, o que nem o mais tresloucado torcedor pode dizer que não influi no placar. Se não fosse por esse e outros erros da arbitragem, hoje poderíamos falar apenas de técnica e tática e, quem sabe, celebrar a minguante oportunidade de ver tantos bons jogadores num mesmo gramado brasileiro.Mesmo assim, há muitas questões para analisar, para além das arbitrais. Luxemburgo é um grande técnico e sabe que o Palmeiras jogou abaixo do que pode e do que vinha jogando. Muricy contou com a volta de Alex Silva e escalou o time com seus três bons e entrosados zagueiros, o que sempre o deixa mais seguro - até porque dá proteção para Richarlyson, que vinha atuando muito atrás. Zé Luís marcou individualmente Valdivia, que não foi a primeira vez que se deixou afetar por isso, e Hernanes teve certa liberdade para apoiar ao lado de Jorge Wagner, novamente o responsável pelas assistências para Adriano.Em conseqüência, o Palmeiras não conseguiu criar espaços. Os alas estavam presos, os atacantes se movimentavam pouco e era freqüente ver Léo Lima procurando alguém para fazer a ligação. Mesmo o erro de Gustavo no segundo gol do São Paulo, tosco que tenha sido, mostra que havia problemas na saída de bola. Diego Souza é bom jogador, mas um pouco mole; só no segundo tempo apareceu para buscar jogo no meio. Luxemburgo colocou Lenny e Denilson justamente para abrir os caminhos, com dribles pelas pontas - ao que apenas Lenny correspondeu, tanto que sofreu pênalti claríssimo de Alex Silva.O São Paulo foi ligeiramente superior na tática, ao longo de bom trecho da partida, mas isso não significa que o 2 a 1 tenha sido ''justo'', como andei lendo e ouvindo. Além de não existir justiça numa diferença obtida com gol de mão (obviamente intencional, pois não existe explicação biomecânica para um braço estar mais à frente do que outro), a afirmação deixa de lado o fato de que, ao todo, o Palmeiras finalizou mais vezes e com mais perigo; Alex Mineiro acertou a trave e Rogério fez pelo menos duas ótimas defesas.Como muita gente supunha que o Palmeiras fosse bem superior ao São Paulo, no oba-oba de sempre, há agora uma inversão de perspectivas, como se o time do Morumbi não tivesse mostrado problemas. Afinal, mais uma vez criou a maioria de suas chances a partir de bolas paradas. No próximo domingo, sem Zé Luis para ser o carrapato do chileno e sem Richarlyson para exibir fôlego na esquerda, terá de voltar com o intempestivo Fábio Santos e o veterano Júnior. De novo, a equação será o descuido defensivo de um contra a limitação ofensiva do outro - oxalá sem erros graves do juiz. E todos os palpites ficarão em suspenso por 90 minutos. Ainda bem.P.S. - Repito uma sugestão: por que não ter juízes de linha, como existem no basquete e vôlei? Sei que há resistência a decisões baseadas em videotape - discordo, mas respeito - porque mesmo este pode ser dúbio. Mas um simples auxiliar na linha de fundo teria visto com clareza o toque de Adriano.

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