Os EUA aprenderam a gostar de futebol

Passar por peneiras é rotina para quem sonha ser jogador de futebol. Para 190 brasileiros que atuam nos Estados Unidos, o teste foi mais rígido - precisaram ir bem na escola e, claro, saber falar inglês. Se aqui a ligação bola-escola não combina, lá é caminho obrigatório. Os clubes selecionam os atletas nas universidades. Foi assim com o brasileiro Pablo Campos, que hoje atua no Real Salt Lake, atual campeão nacional. "Fomos até a Casa Branca por causa do título", orgulha-se.

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Essa realidade faz Fábio Vilas Boas sonhar com a profissionalização. A primeira etapa ele já cumpriu - jogou por dois anos no colegial. "Um técnico da Universidade me viu e me chamou para jogar", disse o futuro estudante de marketing. Assim como Fábio, Luca Gimenez também pretende jogar por uma faculdade. A meta do garoto de 18 anos é ser escolhido por um clube, logo na primeira seletiva. "Os primeiros chegam a ganhar US$ 120 mil (cerca de R$ 215 mil) por ano", explica.

Antes, no entanto, os jovens terão pela frente uma dura jornada dividida entre treinos e (muito) estudo. "Mesmo se jogasse bem, não seria suficiente. Precisaria ir bem nas provas para jogar na liga", lembra Pablo.

Além de terem mais uma exigência, os garotos costumam sofrer para se adaptar à cultura e, principalmente, ao estilo diferente de jogo. "Eles usam muito o corpo, valorizam a parte física", comenta Luca. Para Fábio, o que mais atrapalhou foi a distância da família. "Treinava duas vezes por dia, sem problemas. Mas a saudade quase me fez desistir."

Surpresa. Ainda que não seja igual ao brasileiro, o futebol dos EUA impressionou. Tanto que Fábio aproveitou as férias no Brasil para entrar em forma. "Quero chegar bem, porque o nível é alto." Para Ricardo Silveira, sócio da 2SV Sports, empresa que faz intercâmbio de jogadores, a confirmação da competitividade veio no ano passado, quando um time universitário jogou com equipes sub-20 do São Paulo e do Palmeiras. "Os confrontos foram disputadíssimos, o que mostra que estão no mesmo nível", comparou.

Prova disso é o desempenho da seleção americana na Copa. Bem diferente do Mundial passado, quando se despediu da competição na primeira fase, terminando em último no grupo. A explicação para o aumento do nível técnico do elenco atual - do qual 13 jogadores participaram de ligas universitárias -, vem da influência latino-americana. "Além de brasileiros, há muitos argentinos. Isso traz uma outra visão ao futebol americano. Agora, precisamos de treinadores estrangeiros", indica Pablo.

A quantidade de jogadores brasileiros quintuplicou em 4 anos. "Antes iam 20 garotos por ano, agora vão 100", afirmou Ricardo. E deve aumentar, se depender da torcida dos garotos que cogitam se naturalizar, como Pablo, a referência para os calouros.

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