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Reginaldo Leme
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Os melhores do ano

Acabo de responder a uma pesquisa do Globoesporte.com sobre os melhores da temporada, e acho que restam poucas dúvidas sobre os cinco principais pilotos: Rosberg, Hamilton, Alonso, Ricciardo e Bottas. Parece que tem alguns jornalistas consultados colocando o australiano à frente de Alonso, como é a ordem do campeonato. Não é o meu caso, embora tenha ficado muito bem impressionado com o ataque de Ricciardo contra Hamilton no final da corrida da Hungria. Pra mim, um dos melhores momentos do ano, porque foi o resultado de um binômio arrojo/técnica, que já não se tem visto com frequência. Qualquer um que admire o automobilismo, ao observar a manobra de Hungaroring, correu o risco de chamar Ricciardo de gênio. Mas seria no puro entusiasmo. A ultrapassagem, de fato, merece esta avaliação, o que não quer dizer que o piloto seja um gênio, como é Alonso. Ao menos por enquanto, é isso.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h05

A Ferrari, por sua vez, não tem carro para andar entre os seis ou sete primeiros, mas Alonso é capaz de segurar uma liderança à frente de Hamilton e Ricciardo por várias voltas e contrariar todas as previsões de consumo de pneu, ao chegar em segundo. O espanhol ocupa a quarta colocação no campeonato, já com dois pódios, ficou sete vezes entre os cinco primeiros e marcou pontos em todas as 11 corridas disputadas. Falar de Alonso é fácil. Ele é a única unanimidade na F-1 atual. Difícil é avaliar a briga entre Hamilton e Rosberg, que vai valer o título mundial do ano. Em talento puro, Hamilton é aquele que pode ser comparado a Alonso. Mas como o sucesso na F-1 não depende unicamente do talento, Hamilton perde longe no equilíbrio emocional.

Quem se arriscaria a dizer, antes do início da temporada, que até a 11.ª etapa a liderança seria de Rosberg e não de Hamilton? Mesmo depois que o alemão abriu o campeonato com uma vitória e o inglês, logo de cara, amargou sua primeira quebra, eu continuei apostando em Hamilton, que, de fato, retomou a liderança depois de quatro vitórias consecutivas nos cinco primeiros GPs. Mas ficou na frente apenas até a corrida seguinte, em Mônaco. Dali em diante Rosberg conseguiu abrir uma boa vantagem, com um segundo no Canadá e mais uma vitória na Áustria, enquanto Hamilton enfrentava mais uma quebra.

Nessa altura, o alemão chegou a abrir vantagem de 29 pontos. Até sofrer o seu primeiro problema mecânico na Inglaterra, onde ficou no zero e ainda viu Hamilton vencer e ficar apenas quatro pontos atrás. Isso não tirou a força de Rosberg, que deu o troco na etapa seguinte, Alemanha, e viu o inglês chegar em terceiro, depois de largar em último. A diferença subiu de novo para 14 pontos.

Quem viu a cara desanimada de Hamilton na Hungria, quando seu carro pegou fogo no início da classificação de sábado, imaginou que Rosberg poderia sair da Hungria mais líder do que nunca. O inglês largou do box e viu o alemão liderar com tranquilidade até a sorte mudar de lado. Uma entrada do Safety Car atrapalhou o líder, embaralhou as cartas e, no final, deu Hamilton em 3.º e Rosberg em 4.º. Por tudo o que ocorreu, os dois acabaram saindo no lucro. A diferença, no momento, está em 11 pontos. Faltam oito etapas, sendo que na última (Abu Dabi) os pontos são contados em dobro.

Nico merece o sucesso que alcançou. Hoje é um piloto muito diferente daquele que correu de 2006 a 2009 na Williams (70 GPs) e fez um pódio (3.º na Austrália, 2008). Chamado para ser segundo de Michael Schumacher na Mercedes em 2010, amadureceu e, no processo de evolução, obteve resultados melhores do que o heptacampeão, incluindo a primeira vitória da equipe (China 2012). Na saída de Schumacher, ganhou a companhia de Hamilton. Vida fácil, nem pensar. Saiu uma pedreira, entrou outra, com mais juventude e mais vontade.

Foi quando se viu o quanto Rosberg tinha evoluído. Numa disputa equilibrada, em que ele venceu duas corridas contra uma de Hamilton, só faltou a regularidade que manteve o inglês à frente no campeonato (4.º lugar). O alemão terminou em sexto, 18 pontos atrás. Já em 2014 a briga continua apertada (5 a 4 em vitórias pró Hamilton e 9 a 9 em pódios), mas a sorte está pendendo mais para o alemão. Ou seria equilíbrio emocional mais apurado?

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