Os mistérios que cercam a definição do estádio de São Paulo para a Copa-14

A definição do local da abertura de uma Copa do Mundo vai muito além da condição técnica do estádio escolhido. Aí estão envolvidas questões políticas, econômicas e estruturais. De certa forma, a hierarquia dos jogos mostra a importância que a cidade tem no contexto geral. E, nesse caso, seria impensável São Paulo receber apenas partidas mais simples, relativas, por exemplo, à primeira fase ou oitavas de final. O Estado de São Paulo não é considerado a "locomotiva do Brasil" por acaso. Além disso, a cidade de São Paulo tem o terceiro maior orçamento do País (atrás apenas da União e do Estado) e o futebol paulista é o mais forte no cenário nacional. Dentro dessa linha de raciocínio, São Paulo não pode, nem deve, ficar sem a abertura ou final do Mundial.

Bastidores: Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

Vários aspectos prejudicaram o Morumbi. Um deles foi o projeto técnico, responsável por discursos divergentes entre a diretoria do São Paulo e o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, fato que evidenciou a existência de ruídos na relação. Mas a questão que, de fato, assustou a cúpula da entidade foi o orçamento para obras de ajuste do estádio são-paulino. A mais recente projeção atingiu R$ 1 bilhão. Por se tratar de propriedade privada, o Morumbi não pode receber recursos públicos, o que, segunda a Fifa, impossibilita a reforma. Politicamente o momento também é ruim. Na eleição para presidente do Clube dos 13, realizada na segunda-feira, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, confrontou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e homem forte na Fifa, Ricardo Teixeira.

Onde o Corinthians entra nessa história? A antiga amizade com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que é conselheiro do clube, deu ao presidente alvinegro, Andrés Sanchez, trânsito fácil no governo federal. Além disso, a viabilidade financeira de uma nova arena passa, necessariamente, pela associação a um grande clube, como aconteceu no Rio com Botafogo e Engenhão.

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