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Reginaldo Leme
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Os próximos duelos

Os duelos entre Hamilton e Rosberg daqui para a frente podem até ser mais quentes pelo fato de que, para o alemão, só a vitória interessa. Mas quem esperar que a Mercedes, agora já com o Mundial de Construtores garantido, dê mais liberdade a seus pilotos nessa briga provavelmente vai se decepcionar. No decorrer do campeonato a equipe soube controlar momentos críticos da rivalidade entre os dois pilotos e nunca deixou de anunciar que eles estavam livres para disputar as vitórias, desde que cumprissem a obrigação de evitar que seus carros se tocassem na pista. Acredito que neste final de campeonato nada deva mudar. Com os 17 pontos de vantagem, Hamilton ganhou uma dose extra de tranquilidade, já não tem a obrigatoriedade de vencer todas, mas ele sabe muito bem o que é passar por esta situação. Por duas vezes ele precisou de quatro vitórias consecutivas e também por duas vezes ele esteve 29 pontos atrás de Rosberg. O alemão vai para o tudo ou nada como já fez na largada da Rússia e poderia ter dado certo, mas passou do ponto da freada e acabou travando não uma, mas as duas rodas da frente.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2014 | 02h04

A Mercedes está diante de alguns recordes a serem derrubados. Isso pode nem fazer parte dos sonhos de Niki Lauda e Toto Wolff, mas alguns desses recordes estão bem ao alcance. No Campeonato de Construtores, uma dobradinha vale 43 pontos e, portanto, com Abu Dabi valendo o dobro, há ainda 172 pontos em jogo. Se tudo isso couber à Mercedes, ela chegará a 737, bem mais do que os 650 conquistados pela Red Bull em 2011. Vamos levar em conta que o Mundial de 2011 teve 19 corridas e agora nós temos 20, que, de fato, equivalem a 21 por conta dos pontos em dobro na última. O dado curioso dessa conta é que se a Mercedes continuar com suas dobradinhas no restante da temporada, mesmo eliminando-se duas das 21 pontuações, ela ainda terá 651, um ponto a mais do que o recorde histórico de 2011. Em número de vitórias, só falta uma para superar as 13 da Red Bull em 2013. Mas importante mesmo será derrubar a marca histórica de 15 vitórias da McLaren de 1988 e da Ferrari de 2002 e 2004. Mesmo considerando-se o menor número de corridas na época (16 em 1998; 17 em 2002 e 18 em 2004), isso, sim, é algo que Lauda e Wollf devem ter em mente como um desejo secreto.

Quando a Mercedes anunciou a compra da campeã e falida Brawn ao final de 2009, manteve Ross Brawn no comando e tirou Michael Schumacher da aposentadoria, imaginou-se uma equipe forte o suficiente para competir com Red Bull, Ferrari e McLaren. Mas a realidade foi bem diferente. Com apenas três pódios (3.º lugar) de Rosberg, a Mercedes ficou bem atrás das três rivais. O ano seguinte foi ainda pior, sempre chegando do quinto lugar para trás, com exceção de um 4.º de Schumacher no Canadá, pista onde ele tinha sete vitórias com a Ferrari. Em 2012 veio, enfim, a primeira vitória, com Rosberg na China. Mas nem isso, e mais um 2.º em Mônaco, garantiram para ele mais do que um 9.º lugar no campeonato. Schumacher, depois de um pódio isolado na corrida de rua de Valência e um 13.º lugar no campeonato, retomou a aposentadoria. Nessa época chegou a se falar que a montadora alemã estaria repensando seu alto investimento na F-1.

Até então, apesar da insatisfação, estava tudo dentro da margem de erro. O objetivo era disputar o título até o quinto ano de criação da equipe. Schumacher não pagou sozinho a conta dos insucessos. Depois de 22 anos no comando do braço esportivo da montadora, Norbert Haug foi afastado, mesmo com todas as conquistas obtidas no DTM, o campeonato alemão de carros de turismo, o segundo em importância para a marca. O austríaco Toto Wolff, que tinha participação na Williams, comprou 40% da equipe, foi buscar um profissional acima de qualquer suspeita, como Niki Lauda, os dois juntos reestruturaram a área técnica e, graças a isso, convenceram Hamilton a aceitar o desafio. Na mudança das regras em 2013, o motor V6 turbo da Mercedes fez a diferença. Fora os altos e baixos normais de uma rivalidade inevitável entre dois pilotos de uma equipe favorita ao título, está tudo dando certo. Das 16 corridas disputadas, exceto em duas, nas outras vezes em que os dois carros chegaram ao final, a equipe fez dobradinha - nove vezes.

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