''Os técnicos reclamam, mas os dirigentes me agradecem''

Ney Franco, técnico da equipe campeã mundial, considera um ''teatro'' o lamento de colegas a[br]cada convocação

Wagner Vilaron,

25 de agosto de 2011 | 01h26

Ney Franco está com os ouvidos preparados, pois sabe que será alvo de diversas reclamações. Não é para menos, em plena reta final do Campeonato Brasileiro caberá a ele a responsabilidade de convocar a seleção brasileira sub-20 que, em outubro, vai representar o País nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México. Como muitos dos atletas integram a equipe principal em seus clubes - alguns são titulares -, é certo que a lamentação será grande.

Mas Ney Franco tem na ponta da língua a argumentação que utilizará no momento da grita geral. Além de seu jeito afável e tranquilo, que impede qualquer colega de insinuar que a convocação desse ou daquele jogador tenha o propósito de prejudicar o clube em um momento decisivo da temporada, o comandante da seleção sub-20 conhece os atalhos durante as conversas. "Rapaz, ligo para o dirigente, pois sei que esse vai me tratar bem", revela, divertindo-se com a história. "Tem muito teatro em toda essa reclamação. Enquanto o treinador lamenta, o dirigente agradece, pois sabe que seus jogadores serão muito valorizados."

O treinador, que também coordena todo trabalho de base da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), cita o exemplo de atletas que voltaram da Copa do Mundo da Colômbia em outro patamar. "Veja o caso do Henrique (atacante do São Paulo) ou do Oscar (meia-atacante do Inter-RS). O primeiro foi eleito o melhor jogador da competição, enquanto o segundo brilhou na final. Quanto isso representa para eles e para os clubes?", afirmou o treinador.

Mudança. O planejamento original da CBF era de que a seleção sub-17 representasse o Brasil no Pan-Americano. Porém, os bons resultados conquistados pelos garotos da sub-20, que além do pentacampeonato mundial também conquistaram o Sul-Americano e a vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, e as observações dos adversários fizeram com que Ney Franco e Mano Menezes mudassem de ideia.

"As seleções vão para o Pan com equipes sub-22. Veja o caso do México. Boa parte dessa seleção é a que esteve na Argentina para disputar a Copa América", lembrou Ney. "Fica muito complicado participar de uma competição como essa com uma equipe sub-17. Seria covardia."

Dificuldades à parte, o treinador garante que o propósito inicial da "era Mano" - resgatar a essência do futebol brasileiro (com dribles e toque de bola) - está de pé. "Sim, acreditamos que resultado e espetáculo podem caminhar juntos. Isso é um objetivo da comissão técnica", analisou.

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