Oscar Pistorius, um símbolo dentro e fora das pistas

Sul-africano destaca-se por seus resultados, mas se tornou respeitado ao ter lutado para disputar a Olimpíada de Pequim

Amanda Romanelli,

23 de janeiro de 2011 | 00h35

A delegação da África do Sul chegou à Nova Zelândia em 14 de janeiro para iniciar o período de aclimatação para o Mundial Paraolímpico de Atletismo. Nas manchetes, a imprensa não economizou adjetivos para explicar a presença do país africano: "A superestrela paraolímpica está em Christchurch". Claro, referiam-se a Oscar Pistorius.

O velocista de 24 anos é, sem dúvida, o mais conhecido atleta paraolímpico. Seus resultados são notórios - é o atual campeão mundial e paraolímpico, além de recordista mundial dos 100 m, 200 m e 400 m na categoria T44 (amputados). Mas seu nome ganhou grande repercussão quando pleiteou vaga para disputar a Olimpíada de Pequim, em 2008.

Pistorius colocou em pauta a discussão sobre os benefícios que uma prótese pode acrescentar à performance do atleta em comparação a um competidor sem deficiência. Conhecido como "blade runner (corredor sobre lâminas)" ou "o homem mais rápido sem pernas"", o sul-africano usa próteses de fibra de carbono nas pernas, amputadas quando ele tinha 11 meses, devido a uma deformidade congênita.

O pedido foi negado pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF), mas o sul-africano recorreu à Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, e ganhou. Mas não conseguiu se classificar.

Longe do abatimento, Pistorius brilhou na Paraolimpíada da China. Tornou-se tricampeão olímpico e ainda bateu o recorde dos 400 m. Alto (tem 1,86 m), loiro, bonito, atlético, Pistorius satisfaz, com seu biótipo, às campanhas publicitárias e tem o apoio que todo atleta paraolímpico gostaria de ter. Garoto-propaganda da Nike, também tem patrocínio da Oakley, Volvo e Ossur, empresa islandesa que produz as próteses que utiliza.

Apesar do sucesso, Pistorius está preocupado. De certa forma, parece até conformado. Em Christchurch, deve perder a coroa dos 100 m para Jerome Singleton. As eliminatórias serão na madrugada da terça-feira (1h40 no horário de Brasília). Nas declarações sobre Singleton, Pistorius mostra a nobreza de um campeão. "É um profissional e um atleta que, definitivamente, vai dominar os 100 m um dia."

Singleton perdeu o ouro na Paraolimpíada de Pequim para Pistorius por apenas 31 centésimos de segundo - o campeão foi definido apenas na análise por fotos da linha de chegada.

Medalha. Odair Ferreira dos Santos ganhou a primeira medalha de ouro do Brasil em Christchurch. Com o auxílio de dois guias - Carlos Antônio Santos e Samuel Nascimento -, o fundista venceu os 10 mil metros categoria T11 (perda total de visão) com 32min13s02, estabelecendo o recorde do campeonato.

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