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Osorio e o SP irrisório

Juan Carlos Osorio desembarcou no Morumbi, três meses atrás, cercado de expectativa, planos e curiosidade. O colombiano vinha para a primeira experiência no Brasil com a esperança de comandar um dos times mais famosos do mundo. O São Paulo fora buscá-lo com a certeza de que saía da mesmice do mercado local para arriscar com um nome novo, de ideias arejadas e currículo ao menos razoável.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2015 | 02h01

O tempo correu e talvez nem uma parte nem outra esteja confortável com o que foi entregue até agora. Cada lado com razão. O treinador encantou-se com o canto da sereia, porque lhe disseram que o elenco era farto, tinha qualidade e não sofreria baixas significativas. Não foi o que se viu na prática. Ao contrário, diversos atletas deixaram o clube e há risco de outros debandarem, desde que surjam ofertas atraentes do exterior.

Osorio também não conseguiu, ainda, fazer com que a equipe mostre, em campo, as estratégias avançadas com as quais se animaram os dirigentes que apoiaram a contratação. O São Paulo, em constante mutação, oscila, não deslancha e contam-se nos dedos as atuações em que foi impecável - ou quase.

A rotina tem sido marcada por vitórias sem empolgar e por tropeços constrangedores - os dois últimos, em casa, e para times em situação inferior: o Goiás, na semana passada (3 a 0), pelo Campeonato Brasileiro, e o Ceará, na quarta-feira, pela Copa do Brasil (2 a 1). Não se perde impunemente para rivais que lutam para não cair, um na Primeira Divisão e outro na Segunda.

Há narizes torcidos, e não é para menos, pois se temem desilusões nas duas frentes de combate. O curioso, no caso, fica para a divisão de opiniões. Uns colocam em xeque os métodos e a eficiência de Osorio. Assim como existem os que se frustram com o comportamento do elenco, indolente e arredio, o que o empurra para nível de futebol irrisório. Típica situação, de novo, em que todos têm seus motivos justos e ninguém está totalmente certo.

Osorio se situa no centro dessa celeuma, e veredicto irrevogável comporta riscos. Tanto se pode exagerar ao considerá-lo um gênio (não justificou elogios rasgados), como classificá-lo como embusteiro. Ideal dar-lhe mão forte, alternativas no grupo e munir-se de paciência. Ao menos com, vá lá, meio anos, sete meses, se tem lastro para uma avaliação sensata e correta.

A vida real, no entanto, é muito diferente. O São Paulo tem pressa, precisa de títulos, enfrenta crise de identidade. Um clube que conquistou tudo, no último quarto de século, vive seca semelhante ao do Cantareira. Desde 2008, levantou só uma taça - a da Sul-Americana de 2012. Pouco, muito pouco. Por isso, tritura técnicos com mais voracidade do que o habitual, sejam figurões ou aprendizes de "professor".

Não soa fora de propósito imaginar fritura tricolor de Osorio, pela variação de humor de cartolas e torcedores. E um São Paulo pressionado visita o Fla, de técnico novo (Oswaldo de Oliveira) e num momento nada agradável: no Brasileiro emperrou na metade de baixo da classificação e na Copa tomou de 1 a 0 do Vasco.

Resumo da ópera: se fala que a Federação Mexicana de Futebol gostaria de ter Osorio como técnico da seleção. Fosse ele aceitava a proposta, se de fato ela vier. Mais prudente.

Café com leite. O domingo tem dois duelos interessantes entre paulistas e mineiros - Corinthians x Cruzeiro e Atlético x Palmeiras - com reflexos na parte de cima da classificação, e até na de baixo.

O Corinthians não tem oferecido recitais (perdeu para o Santos na Copa do Brasil); porém, no Brasileiro tem regularidade e eficiência que o levaram à liderança, erros de arbitragem à parte. O Cruzeiro é a decepção e travou perto da zona de descenso.

O Galo persegue o Corinthians e também anda em fase alterada; já não repete exibições do início do torneio. O Palmeiras tem desfalque do meio-campo titular (Gabriel, Arouca, Robinho) e trava batalha para mostrar que não e fogo de palha. Técnico colombiano esperava mais do clube - e vice-versa. Relação com futuro indefinido

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