Ouro na Olimpíada de 1988, ciclista alemão admite doping

'Utilizei substâncias proibidas', afirma Robert Lechner, de 41 anos, ao Frankfurter Allgemeine Zeitung

Agência Estado

27 de fevereiro de 2008 | 20h59

O ex-ciclista alemão Robert Lechner, medalha de ouro na prova do quilômetro contra o relógio na Olimpíada de Seul, em 1988, reconheceu nesta quarta-feira ter utilizado drogas ilícitas durante a carreira. "Utilizei substâncias proibidas", disse Lechner, de 41 anos, ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. O ciclista representou a Alemanha Ocidental no último torneio olímpico em que o país ainda era separado da comunista Alemanha Oriental. "Creio que agora é o momento de elucidar o passado", complementou o ex-atleta. A declaração de Lechner foi mais um duro golpe para autoridades da Federação Alemã de Ciclismo, cujos dirigentes e médicos são acusados por ex-corredores de haver incentivado o uso do doping nas décadas de 1980 e 1990. A reputação do país na modalidade também sofre com o descrédito internacional, desde que Jan Ullrich, Patrik Sinkewitz e vários atletas da equipe Telekom foram flagrados por doping. EM PEQUIM, RIGORA Agência Mundial Antidoping (Wada) anunciou nesta quarta, em Lausanne, na Suíça, que atacará o uso de substâncias dopantes por mais uma frente. De acordo com o presidente da entidade, John Fahey, os testes realizados nos Jogos de Pequim conseguirão detectar a presença de hormônios de crescimento humano (hGH), que desenvolvem músculos e ossos. Análises prévias serão realizadas antes de agosto, quando começa a Olimpíada. "Sabemos que pessoas têm utilizado o hormônio de crescimento humano faz 20 anos e estão impunes até hoje", disse David Howman, diretor-geral da Wada. De difícil detecção, o hGH é considerado um dos tipos de doping mais disseminados. Especialistas dizem, porém, que os casos não são flagrados porque a substância é rapidamente eliminada do organismo humano. As autoridades antidopagem realizaram provas para tentar encontrar o hormônio durante os Jogos de Atenas, em 2004, e nos Jogos de Inverno, em Turim, há dois anos. Nenhum resultado positivo foi encontrado. De acordo com John Fahey, presidente da Wada, amostras de sangue dos atletas que competirem em Pequim serão armazenadas por oito anos, o que significa que os usuários da substância correm risco de perder seus resultados. "Os cientistas podem conseguir provas efetivas muito tempo depois."

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