Ouro no pré-olímpico não ilude boxe

Com duas medalhas de ouro e duas de prata, o Brasil encerrou neste domingo sua participação no Pré-Olímpico do Rio, no Centro de Convenções do Riocentro, em Jacarepaguá, com cinco pugilistas classificados para Atenas, e a certeza de que o nível técnico do País ainda está distante dos expoentes da modalidade, como Cuba, Estados Unidos e Rússia. E até o presidente da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), Luiz Cláudio Boselli, já admitiu que o trabalho atual tem por objetivo preparar os lutadores para os Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. "Sonho e capacidade para ganhar uma medalha em Atenas nós até temos. Mas também sabemos que a dificuldade é muito grande. Nosso trabalho de preparação só melhorou há dois anos, quando passamos a receber os recursos (R$ 800 mil) da Lei Piva", disse o presidente da CBBoxe. "Por exemplo, o Myke (Carvalho, categoria leve - até 60 quilos) tem 20 anos e estará no auge em Pequim. O trabalho no boxe é feito a longo prazo. Cuba não chegou a ser a potência que é de uma hora para outra." O diretor-técnico da seleção, o cubano Francisco Garcia, também foi pessimista ao analisar as possibilidades de o Brasil conquistar medalhas na Grécia e destacou que a falta de experiência é a principal dificuldade dos pugilistas. O objetivo agora será o de levar os cinco classificados para treinar na Europa, e o país preferido é a Itália. "Nós vamos lutar por uma medalha, porque temos atletas com capacidade. Mas sabemos que é difícil", afirmou Garcia, que está à frente da equipe desde o final dos Jogos Pan-Americanos de 2003, em São Domingos. "Os brasileiros precisam de intercâmbio, principalmente, na Europa. Somos da escola americana e cubana, que é técnica. Lá eles são mais força." E no último dia do Pré-Olímpico, que distribuiu as 20 vagas finais à Grécia, para pugilistas do continente americano, o Brasil conquistou duas medalhas de ouro com Myke Carvalho e o meio-pesado (até 81 quilos) Washington Luis Silva. E enquanto Silva não encontrou dificuldades para vencer o canadense Trevor Stewardson, por 26 a 14, Carvalho obteve a vitória a poucos segundos do fim, por 22 a 21, sobre o colombiano José Mosquera. "Pensei que seria mais fácil. Fiquei muito cansado, porque geralmente lutamos à tarde ou noite e neste domingo foi pela manhã, após o café, e isso prejudicou o meu desempenho", contou Carvalho. Já o pena (até 57 quilos) Edvaldo Oliveira e o médio (até 75 quilos) Glaucélio Abreu foram derrotados pelos canadenses Benoit Gaudet e Jean Pascal, respectivamente, por 19 a 9, e 30 a 13, e ficaram na segunda colocação. Após a competição no Rio, os lutadores da seleção receberam folga e se reapresentarão, em São Paulo, no dia 24, quando Carvalho, Silva, Oliveira, Abreu e o meio-médio-ligeiro (até 64 quilos) Alessandro Mattos (classificado para Atenas na eliminatória mexicana, em março) iniciarão a preparação olímpica. Na Rio, dos 26 países participantes, nove conquistaram vagas aos Jogos: Venezuela (cinco), Brasil (quatro), Canadá e Colômbia (três), além de República Dominicana, Porto Rico, Equador, Cuba e Estados Unidos (uma).

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