Ouro para selar a paz

Depois de brigas na Justiça antes do Pan e de problemas no primeiro dia de competições, equipe brasileira brilha

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2028 | 00h00

A medalha de ouro no Pan e a conseqüente vaga para disputar a Olimpíada de Pequim foram um final feliz para a jornada cheia de dificuldades da equipe brasileira de hipismo de saltos. Problemas que começaram bem antes da competição e envolveram até briga na Justiça (leia ao lado). Ontem, o grupo formado por Rodrigo Pessoa (Rufus) , Bernardo Alves (Chupa Chups 2), César Almeida (Singular Joter II) e Pedro Veniss (Un Blancs de Blanc) apresentou desempenho tão primoroso que garantiu a vitória antes mesmo da última passagem pela pista do Complexo Hípico de Deodoro. Foi um momento de felicidade para os cavaleiros e também para a torcida, que se esforçou para não atrapalhar os conjuntos durante as apresentações e, no fim, pôde se expressar. O Canadá ficou com a prata e os Estados Unidos, o bronze.A conquista foi particularmente significativa para César Almeida e Pedro Veniss. Representou o título mais importante de suas respectivas carreiras. No caso de Cesinha ganhou importância extra depois dos problemas enfrentados quinta-feira. Ele perdeu os dois estribos durante sua apresentação e acabou tendo um refugo e duas faltas no percurso de velocidade, no qual seu cavalo é especialista. Por uma combinação de resultados, coube ao cavaleiro a chance de garantir ao Brasil, ontem, a medalha de ouro. "O Bernardo me falou que seu eu ?zerasse? a pista nós ganharíamos o ouro e se eu fizesse uma falta o Rodrigo teria de fazer resultado. Entrei confiante porque estou há quatro anos saltando com este cavalo e sabia o que ele poderia render." Cesinha fez uma apresentação perfeita em um tipo de percurso de obstáculos de 1,50 no qual Singular Joter II não compete com muita freqüência. Depois tudo virou festa, mesmo antes de Rodrigo Pessoa, escalado para ser o último, entrar na pista.Apesar de acostumado com grandes conquistas, o ouro no Pan é, para Rodrigo, um feito para ser lembrado. "Não tenho muitas oportunidades de competir no Brasil e por isso ganhar aqui foi uma emoção especial. Espero que a medalha sirva para estimular a realização de mais competições de alto nível no País como esta, que contou com um bom ambiente proporcionado pela torcida." O pai do cavaleiro, o técnico da equipe brasileira, Nelson Pessoa, também se emocionou. "Afinal, foi aqui em Deodoro que aprendi a montar há mais de 50 anos."Bernardo e os outros cavaleiros não quiseram dedicar a uma só pessoa a conquista da medalha. "Quero dedicar esse título às muitas pessoas que me ajudaram a chegar até aqui", disse Veniss. "Acho que muitas pessoas que trabalham ao nosso redor também são importantes, como a comissão técnica e os tratadores dos nossos cavalos", falou Bernardo. "Também queria fazer uma menção especial à Karina Johannpeter, que não entrou na pista (era a reserva), mas trabalhou conosco e se tivéssemos algum problema teria todas as condições de competir, pois ela e seu cavalo estavam tinindo."Os quatro cavaleiros brasileiros voltam à pista amanhã para a disputa do título individual. Serão dois percursos diferentes e vale mais uma medalha de ouro. Pedro Veniss lidera a competição, com 2,24 pontos perdidos nos dois primeiros dias de competição, seguidos pelos canadenses Jill Hansellwood (4,00) e Ian Millar (4,29). Rodrigo Pessoa está em quarto lugar (5,74), Bernardo Alves em sétimo( 9,09) e César Almeida na 12.ª posição (11,66).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.