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Outubro alvinegro

Os jogadores do Corinthians engajaram-se ontem no outubro rosa, movimento de conscientização contra o câncer de mama. E o fizeram de forma simpática, ao entrarem em campo com mulheres com camisetas alusivas à campanha internacional. Elas só saíram do gramado após o Hino Nacional. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 03h00

Com a bola a rolar, os rapazes de Tite mostraram que o Campeonato Brasileiro vive o outubro alvinegro. E o fizeram de maneira irretocável, ao baterem o Flamengo por 1 a 0; com isso, deixaram o Atlético-MG muito distante na corrida pela ponta. Neste mês, foram quatro jogos, com um empate e três vitórias. Ou seja, na reta final da competição o líder embalou com força admirável.

Assim como tem sido elogiável a tranquilidade de um grupo de profissionais que sabem o que buscam. O clássico comportava, na teoria, risco de surpresa de adversário tradicional e pressionado por resultados ruins nas últimas rodadas. Não passou de perigo imaginário, pois na prática o Fla deu muito pouco trabalho - por limitações próprias e por méritos corintianos.

Não fez diferença alguma nem a presença de Guerrero. O ex-goleador do Corinthians foi recebido com provocações, vaias e até alguns aplausos de praxe - nada fora do normal. Não se viu a avalanche de hostilidades de que também se falou durante a semana. Na verdade, a Fiel esnobou o astro vira-casaca, e indiferença dói pra burro.

Com a bola nos pés, Guerrero seguiu a toada do restante do Flamengo, quer dizer, não teve nenhum lance de genialidade e ainda viu o rival a deslizar à vontade, como dono da casa e do torneio. Em vez do peruano com sobrenome bélico, prevaleceu o carioca com apelido carinhoso - Vágner Love cravou o gol da vitória e mostrou para a torcida quem é o novo amor da massa. 

O Corinthians voltou a ser econômico no ataque, mas não a ponto de soar pão-duro, com no início do ano. Criou algumas ocasiões para ao menos dobrar a conta. Em compensação, esbanjou entrosamento, evitou desgaste desnecessário, não permitiu ao Fla ousar. Cássio praticamente assistiu ao jogo. Sólido, compacto, altivo, assim foi o desempenho de quem tem consciência de que a taça virá, rodada mais, rodada menos. Não há pressa nem tensão.

O Corinthians sobra - e isso ocorre porque Tite montou sistema simples e eficiente, recuperou jogadores que se encaminhavam para ficar em segundo plano (Love), estimulou o ressurgimento de Jadson e Renato Augusto. Voltou a contar com a garra de Ralf. Injusto apontar pontos falhos. 

Com mais seis etapas pela frente - a próxima será em BH contra o Galo -, e com vantagem tão folgada, o hexa só escapa do Parque São Jorge se o dólar despencar e o Cantareira encher até dezembro. A diretoria pode encomendar chope, salgadinho, faixas, rojões, reservar churrascaria para a festa de campeão. Essa não tem como fugir.

A esta altura Guerrero deve lamentar a escolha - não por desprezo ao Flamengo, que passará outro ano em branco -, mas por cair fora da nau alvinegra na hora da subida. E não venha com conversa de que teve participação na conquista. Foi embora cedo, na maré baixa. 

São Paulo vivo. Não foi suave, mas veio a primeira vitória tricolor sob o comando de Doriva. Os 2 a 1 sobre o Coritiba, no Paraná, não esconderam defeitos que fizeram o São Paulo balançar durante a temporada - sobretudo a inconstância de alguns jogadores. Porém, e esse porém é positivo, e realçaram postura mais firme que o técnico exige. Talvez não seja suficiente para anular a desvantagem diante do Santos, na Copa do Brasil. Mas anima para a luta pelo quarto lugar na Série A. Ou a quinta posição mesmo, desde que o Santos fature o outro troféu nacional e lhe abra espaço na Libertadores. 

O Coritiba (34 pontos) permanece na zona de rebaixamento, numa corrida desesperada que envolve Goiás (31), Vasco (30), mais os catarinenses Joinville (30), Avaí (34), Figueirense (35) e Chapecoense (39). 

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