Overdose

Se há um time do mundo contra o qual ninguém deseja jogar nos dias atuais, esse time é o vertiginoso Barça de Pepe Guardiola. Vertiginoso. Esse era o adjetivo que eu buscava, enquanto rascunhava o texto de hoje num breve voo entre Lisboa e Barcelona. O time azul e grená da Catalunha joga de uma forma tão veloz e tão envolvente que não seria exagero dizer que é capaz de provocar vertigens nas pobres defesas adversárias que têm a ingrata missão de enfrentá-lo. Xavi, Iniesta, Xavi, Iniesta, Messi, Dani Alves abre e recebe, Xavi, Iniesta, uma metida para Messi, dois dribles desconcertantes e uma finalização genial. Mais um gol do Barcelona.

Marcos Caetano, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

Quantos já foram na presente temporada? Perdi as contas. Só Messi fez mais do que muitos clubes de primeira divisão no futebol mundial.

Eu dizia que ninguém quer jogar contra o Barcelona, nos últimos tempos. Que falar então do Real Madrid, o orgulhoso Real Madrid de nove títulos da Champions League, o maior clube do Século 20 segundo a Fifa, que nas próximas semanas terá de jogar contra o arquirrival nada menos do que quatro vezes em 18 dias? Parece muito? Parece insuportável? Parece apavorante? E se eu acrescentar que, no último confronto, os comandados do também orgulhoso José Mourinho saíram do Camp Nou com cinco gols nas costas, numa das mais humilhantes goleadas da história do clássico? A verdade é que se eu fosse torcedor do Real Madrid - e não sou, pois na Espanha faço parte dos modestos "colchoneros"", os simpatizantes do primo pobre Atlético de Madrid - trataria de tirar umas semanas de férias. Só reapareceria depois do desfecho dessa série de confrontos e, ainda assim, se o saldo dos mesmos fosse aceitável.

Entretanto, não nos enganemos: se o Barça é gigante, o Madrid também é. Se há talento numa equipe que tem metade da seleção espanhola campeã do mundo mais Daniel Alves, Mascherano e Messi, há talento equivalente num rival que tem a outra metade da seleção espanhola campeã do mundo mais Özil, Kaká e Cristiano Ronaldo. Os merengues de Mourinho sabem que se a sequência de jogos contra o Barça é capaz de aniquilar a sua temporada, ao mesmo tempo ela pode redimir o time e fazê-lo entrar para a história como um "matador de gigantes"". A primeira das quatro partidas será amanhã, no Santiago Bernabéu, válida pelo Campeonato Espanhol, competição que é liderada com folga pelos catalães. Esse primeiro jogo será praticamente um aquecimento para os demais. Mas, ainda assim, pode adicionar drama à reta final de La Liga, caso o madrilenhos encurtem a distância no chamado jogo de seis pontos.

No próximo dia 20 de abril, chegará a vez da partida que terei o privilégio de conferir em pleno estádio Mestalla, na linda cidade de Valência: a final da Copa do Rei, que pela primeira vez em muitos e muitos anos terá um superclássico como desfecho. Mesmo se o Barça chegar à finalíssima após dois triunfos sobre os rivais no Campeonato Espanhol, uma vitória do Madrid, seguida da entrega da taça e de uma emocionante volta olímpica, apagará rapidamente os tropeços anteriores.

E mais: funcionará como um doping moral para os confrontos de ida e volta, no Camp Nou e no Bernabéu, que selarão quem seguirá adiante na Champions League.

Qual será o desfecho dessa Champions? A consagração definitiva do Barcelona como o melhor time dos últimos dez anos? Ou marcará a histórica décima conquista dos merengues? Ou será ainda que outros favoritos, como os ingleses do Manchester United, conseguirão parar uma equipe espanhola inebriada não apenas pelo título da Copa do Mundo de seleções, mas, sobretudo, por ter eliminado no caminho o inimigo de toda a vida? Essas perguntas começarão a ser respondidas amanhã, com o primeiro confronto de uma overdose de Barcelona x Real Madrid.

Não sei o que o amigo leitor pensa disso, mas eu nunca me canso de ver grandes clássicos. Ainda mais quando há tanta coisa em jogo nos confrontos. Ainda mais quando o choque possui a carga emocional, política e histórica que só um Barça x Madrid consegue produzir.

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