Pacaembu vive ''crise existencial''

Prefeitura tenta achar alternativas para manter relevância do estádio que perderá o Corinthians, seu principal cliente

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

70 anos de história. Entrada do Pacaembu na modernidade depende, segundo Feldman, da criação de vagas de estacionamento e total isolamento acústico. Foto: Paulo Liebert/AE - 1/4/2010  

 

Pesam os 70 anos do Pacaembu, completados em maio deste ano, e o estádio passa por uma "crise existencial". Este é o diagnóstico feito por Walter Feldman, que retornou à Secretaria Municipal de Esportes após as eleições (não conseguiu mandato como deputado federal pelo PSDB), a respeito do estádio que tem futuro incerto. "O Pacaembu passa, neste momento, por uma crise existencial. E por que eu falo isso? Porque ou ele será um grande estádio, moderno, ou será o estádio do Museu do Futebol, discreto e secundário em São Paulo."

Apesar da frustrada tentativa de repassar a gestão do estádio para o Corinthians, o local passa por um ápice de utilização: tem recebido jogos do time alvinegro, do Palmeiras, e, eventualmente, do Santos. Uso que acabou com o crônico déficit orçamentário, graças principalmente à renda das partidas.

A situação deve se manter, ao menos, nos próximos três anos. A partir daí, quando o Corinthians já tiver o seu estádio em Itaquera e o Palmeiras puder contar com a Arena Palestra, o Pacaembu pode cair novamente no ostracismo.

A menos que, segundo Feldman, sejam encontradas condições técnicas para modernizar o estádio. A pedido do prefeito Gilberto Kassab (DEM), uma Comissão de Modernização do Complexo do Pacaembu foi instalada, em setembro, para estudar uma saída para a arena. "Acho que o tempo que teremos (até a construção de Itaquera e a reforma do Palestra) pode responder a essas questões", afirma. "O prefeito me pediu para estudar um caminho de modernização, que leve à criação de vagas de estacionamento e à total proteção acústica. Se conseguirmos atender a esta demanda, o Pacaembu estará salvo."

O governo municipal tem feito investimentos. Uma grande reforma fechou o Pacaembu por cinco meses, no início de 2008, ao custo de R$ 6 milhões. O gramado foi completamente renovado, a iluminação foi trocada, assim como sistemas hidráulico e elétrico. Em 2011, outras intervenções estão previstas, como a melhora da acessibilidade e impermeabilização da marquise. Mas as adequações que podem colocar o Pacaembu no futuro vão depender de uma parceria público-privada.

"Sequestro". Feldman também se mostra incomodado com a proibição de shows no estádio. O uso do espaço para eventos musicais é uma alternativa importante no plano de "salvamento", dada a lucratividade. O São Paulo deve receber cerca de R$ 2 milhões para a cessão do Morumbi para Paul McCartney, amanhã e segunda-feira.

"Hoje há quase um sequestro do Pacaembu por conta de uma ação efetiva da comunidade, que o transforma em estádio silencioso. Isso é contraditório."

O secretário se refere à proibição dos shows, desde 2005, após briga judicial da Associação Viva Pacaembu. "Temos de encontrar condições para ter um estádio vibrante, permanentemente utilizado, não um estádio quase paralisado pela pressão da comunidade."

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