Pai e filho sofrem e se unem pela mesma paixão: o tricolor

Funcionário público Fausto Vieira de Azevedo viu a equipe conquistar seu último e único título brasileiro, em 1984, e incentivou o filho, Roger, de 8 anos, a acompanhá-lo no futebol. Hoje, os dois estão prontos para a festa

, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2010 | 00h00

Ao nascer, Roger Maia de Azevedo ganhou um kit bebê com camisa e short do Fluminense. O berço, o chocalho e a coberta tinham três cores - verde, grená e branco - e o escudo do clube. Seu nome é, na verdade, uma homenagem ao meia-atacante, atualmente no Cruzeiro, que liderou a equipe carioca na conquista da Série C do Brasileiro, em 1999. Hoje, o menino de 8 anos vai ao Engenhão com seu pai, o funcionário público Fausto Vieira de Azevedo, que lhe ensinou desde novinho um mandamento: amar o Fluminense sobre todas as coisas. "Somos apaixonados pelo Fluzão. Viver esse momento é muito bom, muito gostoso", disse Fausto, presente na última e única vez em que o time tricolor faturou o troféu da Primeira Divisão do Brasileiro, em 1984, em decisão contra o Vasco, no Maracanã.

Agora, o palco é outro, mas ele espera o mesmo desfecho. "Estou muito confiante. Não consigo ver o Guarani fazendo frente ao Fluminense." Vestido igual ao pai, com camisa e short do time, Roger foi mais direto: "O Flu vai ser campeão", afirmou, com o olhar fixo nos ídolos Conca e Diguinho no treinamento de sexta-feira, nas Laranjeiras.

A proximidade de um feito histórico mexe com os dois. Fausto tem dificuldade de dormir na madrugada que antecede a uma final. "Vou acordar às 3 horas da manhã e deixar o tempo passar. Enquanto isso, meu filho estará jogando videogame." O futebol já lhe trouxe frustrações e alegrias. Em 1995, Fausto desmaiou nas arquibancadas do Maracanã ao ver Renato Gaúcho marcar de barriga o gol do título estadual sobre o Flamengo. "Acordei com os meus amigos me abanando. Vibrei muito."

Outra cena não sai de sua cabeça. No colo do atacante Romário, Roger entrou em campo no Maracanã na partida de estreia do craque no Fluminense, em 2002, contra o Cruzeiro. "Minha perna tremia toda. Tirei muitas fotos e fiquei emocionado."

O seu maior sofrimento foi em 2008. Na ocasião, o Fluminense perdeu o título da Libertadores para a LDU, no Maracanã, e deixou Fausto "depressivo". "Chorei muito. Daquele jogo, guardei uma lição: nunca mais vou comprar a faixa de campeão antes de a bola rolar."

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