Painel colorido

A temperatura amena aqui em São Paulo, o trânsito leve, a cidade esvaziada, as horas a escoarem com lentidão suavizam o olhar, fazem baixar a guarda. Também realçam alguns personagens importantes, se não de nossa República, que ontem comemorou 123 anos, pelo menos do esporte. Pessoas que de alguma maneira chamaram a atenção e que compõem o painel de cores da vida, mesmo se algumas sejam melancólicas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h03

Você viu a obra-prima do quarto gol de Ibrahimovic, no amistoso de anteontem, em que a Suécia bateu a Inglaterra por 4 a 2? Se perdeu a chance de acompanhar na tevê, vá aos sites. Vale a pena. O atacante roubou a cena, ao completar a quadra, e fechou a atuação com lance antológico, ao acertar uma meia-bicicleta de fora da área, após saída em falso do goleiro. Um momento raro. Pena que a Fifa já tenha fechado a lista dos dez gols mais bonitos do ano. Exuberante.

Para tirar o chapéu a coragem e o talento de Falcão, o craque maior do futsal. O astro de 35 anos está com visão embaçada e com paralisia parcial no rosto, por causa de infecção, e ainda assim saiu do banco, entrou em quadra para ajudar o Brasil a descontar desvantagem de 2 a 0 para a Argentina, no Mundial da categoria: fez o gol de empate, no tempo normal, e o da vitória, na prorrogação, nas quartas de final. Isso é dedicação e curtir a profissão. Formidável.

Linda lição de superação continua a ser dada por Ricardo Gomes. Pouco mais de um ano atrás, deixou os fãs do futebol angustiados, ao sofrer AVC durante uma partida do Vasco. As cenas foram de dar nó na garganta: o então treinador desaba, na lateral do campo, e deixa o estádio em ambulância. O prognóstico inicial indicava estado clínico gravíssimo; temia-se o pior. Ricardo sobreviveu, se recuperou, mostra sequelas mínimas e não é que está de volta ao trabalho?! O próprio Vasco o reconvocou, agora para ocupar-se do planejamento para 2013. Será diretor técnico do clube e, em entrevista coletiva, mostrou coragem ao atrair para si a responsabilidade e as cobranças. Resistente.

Para o bem, para o mal, para cima e para baixo, olha o Neymar a concentrar holofotes, como sempre! O incansável craque do Santos atendeu ao enésimo compromisso da seleção na temporada e se tornou o nome do jogo com a Colômbia, disputado na noite de quarta-feira em Nova Jersey. O rapaz evitou a derrota no jogo que a CBF classifica como o milésimo da amarelinha (os historiadores discordam), ao anotar o gol de empate, numa bela jogada individual. Em contrapartida, chutou para as nuvens a oportunidade da vitória, com o pênalti mal cobrado. Deu um bico que levou a bola para as arquibancadas. Rotina de estrela. Oscilante.

O compadre de Neymar está pronto para a retomada da carreira. Ganso mandou as dores para escanteio, se diz forte, lépido e faceiro para defender o São Paulo a partir deste final de semana. Já é nome certo para compor o banco de reservas no duelo com o Náutico. A intenção de Ney Franco é a de colocá-lo no segundo tempo. A expectativa é a de ressurgir, em 2013, uma das grandes revelações do futebol nacional. Estimulante.

Alex Alves morreu, aos 37 anos, de câncer raro. Antes de lutar contra a doença, travara batalha com inimigo comum a boleiros: a decadência na carreira. A trajetória seguiu roteiro conhecido, de início promissor, fama, sucesso, títulos, dinheiro, perambulação por muitos times até o ocaso, o esquecimento. Mas, vá lá, viveu com intensidade, e deixa como legado imagens de gols e irreverência. Saudade.

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