Pais de vítima devolverão ajuda de custo a Pistorius

Pais de vítima devolverão ajuda de custo a Pistorius

Família Steenkamp quer devolver US$10 mil ao atleta paralímpico que assassinou sua namorada Reeva em fevereiro do ano passado

Estadão Conteúdo

15 de outubro de 2014 | 13h45

Os pais de Reeva Steenkamp, namorada de Oscar Pistorius morta a tiros em 14 de fevereiro do ano passado, em Pretória, na África do Sul, revelaram nesta quarta-feira que irão devolver cerca de US$ 10 mil ao astro paralímpico. O valor foi pago de forma parcelada mensalmente pelo velocista biamputado, como uma espécie de ajuda de custo, e foi divulgado neste terceiro dia seguido de julgamento no tribunal no qual a juíza Thokozile Masipa deverá anunciar nesta semana a pena a ser cumprida pelo corredor.

Já condenado no mês passado pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar), Pistorius admitiu ter efetuado os quatro disparos que provocaram a morte de sua namorada, atingida após as balas atravessarem a porta do banheiro da suíte da casal. Porém, ele disse que confundiu Reeva com um intruso na sua residência e a matou acidentalmente. A acusação, entretanto, alegava que o atleta matou a modelo intencionalmente depois de uma discussão acalorada, ouvida por vizinhos.

Na audiência desta quarta-feira, o advogado de defesa de Pistorius, Barry Roux, leu um comunicado segundo o qual o seu cliente pagou 6.000 rands (cerca de R$ 1300) mensais aos pais de Reeva. E, embora o casal diga que irá devolver o dinheiro ao velocista, o réu disse que não quer receber a quantia de volta.

Lawyer Dup de Bruyn, advogado dos pais de Reeva, afirmou nesta quarta-feira que o casal ficou "muito surpreso" que a defesa de Pistorius tenha tocado neste assunto dos pagamentos, em novo componente que serve para tentar evitar uma pena pesada contra o velocista - a sentença pode variar entre a aplicação de uma multa até 15 anos de reclusão. Barry e June Steenkamp alegam que o fato chamou a atenção porque o astro sul-africano havia pedido sigilo em relação aos pagamentos.

No comunicado lido nesta quarta, De Bruyn revelou que os pais de Reeva enfrentaram dificuldades financeiras após a morte da filha e informou que os advogados do atleta entraram em contato com o casal para que o seu cliente contribuísse com o pagamento de uma quantia para locação e custo de vida de Barry e June.

Na audiência da última terça, o promotor de acusação do caso, Gerrie Nel, já havia revelado que a família de Reeva chegou a recusar uma oferta de Pistorius que girou em torno R$ 96 mil, oriundos da venda de um carro do esportista, que passou a liquidar seus bens para poder arcar com os altos custos de sua defesa no tribunal de Pretória.

O atleta sul-africano, que competia com auxílio de próteses nas duas pernas e era mundialmente admirado antes de matar sua namorada, viveu o ápice da sua carreira em 2012, quando participou dos Jogos de Londres, se tornando o primeiro competidor paralímpico a disputar uma edição da Olimpíada. Além disso, ele possui oito medalhas paralímpicas, sendo seis delas de ouro.

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